Desde há oito meses, o mundo mudou. O ataque dos EUA e Israel ao Irão fechou o mais relevante “corredor” de crude, afetando até a escolha do próximo automóvel.
Primeiro, foi o medo da escalada de uma guerra. Depois, a constatação de que, mesmo que os drones e os mísseis permaneçam a atingir alvos distantes, o conflito no Médio Oriente, desencadeado com o ataque dos EUA e Israel ao Irão, no fim de fevereiro, nos entrou pela casa adentro, invadiu os nossos bolsos e intrometeu-se nas decisões das nossas vidas, nomeadamente quando se coloca a questão: que automóvel adquirir?
Isto porque, à boleia da guerra, o estreito de Ormuz, por onde, até ao início do conflito, passava um quinto do petróleo comercializado no mundo , 15 milhões de barris de crude por dia, mais coisa, menos coisa ,, foi fechado. O corredor marítimo, que, entre a costa do Irão e a costa de Omã, chega a reduzir-se a pouco mais de 30 quilómetros, foi estrangulado pelos Guardas da Revolução Islâmica, conduzindo a uma significativa baixa na oferta de petróleo e consequente aumento dos preços dos combustíveis.
No fim da cadeia, o valor da gasolina 95 e do gasóleo, que já se encontrava num patamar elevado, disparou: em outubro, o preço médio do litro de gasolina 95 situa-se nos 2,16 euros, havendo postos com preço fixado acima dos 2,30 euros; o gasóleo atingiu o seu valor máximo em setembro, comercializando-se a uma média de 2,20 euros, estando atualmente em torno dos 2,15 euros, o que representa um aumento de 40% face ao período homólogo.
Uma guerra de avanços e recuos
Com o prolongar da guerra, cujo fim parece estar longe, apesar das várias tentativas de negociação, o estreito de Ormuz transformou-se num ponto estratégico, tanto para Teerão, que consegue impedir a saída de crude do golfo, como para Washington, que não desiste de manter o estratégico ponto geográfico sob forte ameaça.
Há avanços num dia, com as partes a comunicarem a intenção de reabrir o canal à livre navegação, para logo a seguir novos ataques deitarem por terra quaisquer sinais positivos. Foi o que aconteceu na segunda semana de outubro: quando tudo indicava que as conversações iam no bom sentido, ataques a navios no estreito puseram novamente o petróleo a caminho dos 100 dólares por barril.
E uma das alternativas de retirar crude do golfo, pelo mar Vermelho, parece cada vez mais difícil, com os houthis do Iémen, leais a Teerão, a limitarem a navegação e a investirem diretamente contra a Arábia Saudita. Um dos ataques atingiu um edifício da Aramco, petrolífera estatal saudita e a maior empresa petrolífera do mundo em valor de mercado e reservas de crude, provocando apenas um pequeno incêndio, mas deixou os sauditas de sobreaviso à possibilidade de um ataque a uma das refinarias.
A importância das contas

O aumento dos combustíveis e a instabilidade global podem explicar porque cada vez mais pessoas procuram alternativas energéticas quando pensam na mobilidade. E porque é que, na altura de comprarem um automóvel, um 100% elétrico pode parecer cada vez mais apetecível.
Números de setembro revelam que praticamente um em cada dois automóveis novos é elétrico. Nesse período, os ligeiros de passageiros 100% elétricos representaram 47,7% das novas matrículas, ultrapassando pela primeira vez as vendas de veículos híbridos. E, no acumulado do ano, uma em cada três aquisições é de um elétrico.
A preferência não é difícil de compreender: enquanto 100 quilómetros podem custar em torno de 15 euros num automóvel a gasolina que faça uma média de sete litros, num elétrico a mesma distância é percorrida por um valor que oscila entre os dois e os oito euros, dependendo do consumo e do ponto de carregamento, doméstico ou público, em corrente alternada ou contínua.
Além disso, ao contrário do que sucedia há uns anos, em que era difícil encontrar propostas elétricas razoáveis por menos de 30 mil euros, hoje mais facilmente se arranja um 100% elétrico por menos de 25 mil euros.
Nos usados, também se observa igual tendência. Até junho, a procura por veículos elétricos no Standvirtual passou de 14% para 64% após o início do conflito. Em contrapartida, as pesquisas por veículos de combustão desceram: o gasóleo registou uma queda de 11% e a gasolina de 3%. Ou seja, quase uma em cada quatro pesquisas por automóveis passou a ser por modelos elétricos, face a uma em cada sete antes do conflito.
E a oferta de elétricos usados também aumentou: cresceu 28,5% em termos homólogos, com a quota de elétricos no stock total da plataforma a atingir os 10,27%, contra 7,89% no primeiro semestre de 2025.
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