Mais de 90 quilómetros reais em modo elétrico e consumos abaixo dos 6L/100 km em autoestrada, com a bateria no nível mínimo. A Mercedes-Benz C 300 de Station junta duas soluções pouco habituais no mesmo automóvel. Passámos uma semana ao volante de uma unidade da Nasamotor para perceber se esta combinação faz sentido.

Um motor diesel foi pensado para percorrer muitos quilómetros. Um híbrido plug-in permite fazer as deslocações diárias em modo elétrico e regressar a casa para carregar. A Mercedes-Benz juntou as duas ideias na C 300 de Station, uma carrinha que procura responder à rotina urbana e às viagens longas com a mesma facilidade.

A proposta é particularmente interessante para quem pode carregar em casa ou no trabalho, mas precisa do mesmo automóvel para atravessar o país. E, no mercado de usados, o preço torna esta combinação mais acessível do que quando era nova.

Uma Classe C que esconde a diferença

Por fora, quase nada denuncia a mecânica desta versão. O capot longo, o habitáculo recuado e o tejadilho prolongado até à traseira mantêm as proporções clássicas de uma Classe C Station. Na unidade ensaiada, a configuração AMG acrescenta para-choques mais recortados, embaladeiras pronunciadas e uma grelha com pequenas estrelas.

As pistas estão nas duas tampas, uma para o gasóleo e outra para o carregamento, e na inscrição C 300 de. De resto, é uma carrinha com cerca de 4,75 metros de comprimento, cuja imagem continua atual.

Tecnologia de Classe S, com alguns compromissos

No interior, a inspiração no Classe S é evidente. O painel digital de 12,3 polegadas acompanha um ecrã central vertical de 11,9 polegadas, ligeiramente orientado para o condutor. A apresentação do sistema MBUX e a iluminação ambiente ajudam a criar uma atmosfera sofisticada.

Os bancos são confortáveis, a posição de condução permite encontrar facilmente o ajuste certo e há bom espaço para os joelhos nos lugares traseiros. Já alguns plásticos nas zonas inferiores ficam aquém da qualidade sugerida pelo desenho. Também os comandos táteis do volante e a concentração de funções no ecrã central exigem habituação.

O compromisso mais evidente está na bagageira. A bateria está melhor integrada do que na geração anterior, sem o grande degrau no piso, mas a capacidade desce dos 490 litros de uma Station convencional para 360 litros. Os bancos rebatem na proporção 40/20/40, enquanto a suspensão pneumática traseira, de série nesta versão plug-in, mantém a carroçaria nivelada quando a carrinha está carregada.

313 cv e uma condução sem esforço

O motor 2.0 turbodiesel de 197 cv trabalha com um motor elétrico de 129 cv, integrado na caixa automática de nove velocidades 9G-TRONIC. Em conjunto, entregam 313 cv e 700 Nm, suficientes para cumprir os 0 aos 100 km/h em 6,3 segundos e atingir 241 km/h.

Mais do que os números, impressiona a facilidade com que esta carrinha ganha velocidade. O motor elétrico responde de imediato e ajuda o diesel nas recuperações. A entrada do motor de combustão faz-se sentir, sobretudo a frio, mas, a velocidade estabilizada, o isolamento permite viajar com tranquilidade.

A direção é precisa e a tração traseira contribui para um comportamento equilibrado. Ainda assim, as cerca de 2,1 toneladas fazem-se notar quando se exige mais em curva. A prioridade é o conforto: a C 300 de prefere facilitar uma viagem longa a incentivar uma condução desportiva.

Mais de 90 quilómetros sem gastar gasóleo

Com carga na bateria, os primeiros quilómetros fazem-se em silêncio. A C 300 de pode circular em modo elétrico até aos 140 km/h e, dependendo da configuração, anuncia uma autonomia homologada que pode chegar aos 112 quilómetros.

Durante o ensaio, foi possível superar os 90 quilómetros em modo elétrico com relativa facilidade, com um consumo médio próximo dos 20 kWh/100 km. É uma distância suficiente para muitas rotinas diárias, desde que exista possibilidade de carregar regularmente.

A bateria tem 25,4 kWh de capacidade bruta. O carregador de bordo aceita até 11 kW em corrente alternada, permitindo uma carga completa em cerca de duas horas num posto compatível. Esta geração também pode contar com carregamento rápido de até 55 kW, dependendo do equipamento da unidade.

O modo Electric privilegia a utilização elétrica, enquanto o Battery Hold permite guardar energia para mais tarde. Pode ser útil, por exemplo, para terminar em modo elétrico uma viagem que começou em autoestrada. As patilhas do volante permitem ajustar a regeneração e reduzir a necessidade de recorrer ao travão em muitas situações.

Quando a bateria acaba, o diesel continua a fazer sentido

Com a bateria no nível mínimo, o motor diesel torna-se o principal argumento desta versão. Durante o ensaio, os consumos em autoestrada ficaram abaixo dos 6 l/100 km, um resultado interessante para uma carrinha com esta potência e peso.

É precisamente nesta utilização que a combinação revela a sua lógica: condução elétrica nas deslocações diárias e eficiência do diesel quando a viagem se prolonga. Para quem faz poucos quilómetros durante a semana, mas acumula centenas ao fim de semana, a C 300 de oferece uma flexibilidade pouco comum.

O interesse de comprar um usado certificado

O preço em novo era uma das principais barreiras desta proposta. No mercado de seminovos, parte desse custo já foi absorvida pela desvalorização. A unidade disponibilizada pela Nasamotor para este ensaio, de 2025 e com cerca de 30.000 quilómetros, tinha um preço próximo dos 50.000 euros à data do ensaio.

A certificação também merece atenção numa mecânica que combina dois motores, uma bateria e os respetivos sistemas de gestão. No programa Mercedes-Benz Certified, as viaturas passam por uma verificação técnica da marca, com confirmação da quilometragem através do histórico e dos registos de manutenção.

O programa inclui 24 meses de garantia comercial. As viaturas são entregues com a manutenção efetuada, sem manutenção programada prevista nos primeiros seis meses ou 7.500 quilómetros, consoante o que ocorrer primeiro. A Nasamotor disponibiliza ainda viaturas com até 36 meses de garantia, devendo as condições concretas ser confirmadas para cada unidade.

Para quem é esta C 300de?

Esta carrinha faz sobretudo sentido para quem pode carregar regularmente e quer um único automóvel para utilizações distintas. Na rotina, permite aproveitar o silêncio da condução elétrica. Nas viagens, mantém o conforto e os consumos que continuam a dar argumentos ao diesel.

Há compromissos: a bagageira é mais pequena, o peso é elevado e a complexidade mecânica exige atenção ao histórico e à manutenção. Mas, para o condutor certo, a C 300 de Station consegue conciliar qualidades que raramente encontramos no mesmo automóvel.

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