Carro de empresa elétrico ou a gasóleo

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Carro de empresa: comprar elétrico ou a gasóleo?

Durante muitos anos que não houve dúvidas: se a intenção era comprar um carro de empresa – ou mesmo uma frota de carros –, a solução estava naqueles com motor a gasóleo. Mas ainda será verdade?

Os carros com motores Diesel foram mais apetecíveis para as empresas ao longo de muitos anos e as razões eram várias. A começar pelo facto de serem unidades capazes de rodar muitos quilómetros sem queixas de maior. Aliás, quanto mais um carro a gasóleo anda, melhor será a saúde do seu motor, e também de todos os componentes – até dos mais improváveis, como é o caso do filtro de partículas, que necessita de aquecer muito e com frequência para se regenerar e não dar dores de cabeça (e despesa avultada).

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Depois, na altura de abastecer, o gasóleo apresentou durante muitos anos um preço por litro muito inferior ao da gasolina (uma diferença que tem vindo, gradualmente, a esbater-se), além de que, na altura de abater IVA, a despesa com o líquido que serve para alimentar os carros com motores Diesel poderia entrar nas despesas.

E, claro, durante muito tempo a autonomia de um automóvel elétrico, capaz de percorrer 200 quilómetros com uma única carga (e com muita sorte à mistura), dava aos veículos a gasóleo uma enorme vantagem.

Também a aquisição trazia vantagens às empresas. A começar pelo incentivo para abate de veículos em fim de vida – mas, desde 2010, este passou a ser concedido se o automóvel a adquirir fosse movido a eletricidade, deixando de fora a compra dos tradicionais carros a gasolina ou gasóleo… E nos últimos anos houve mais diferenças nos benefícios a registar. Por exemplo, o valor máximo que entra em contas é de 25 mil euros – se o automóvel tiver um custo de aquisição superior, o remanescente não contará para quaisquer benefícios. Pior: a dedução de IVA é, atualmente, de zero, estando um veículo de 25.000€ sujeito a uma tributação autónoma à taxa de 27,5%.

O Diesel ainda compensa como carro de empresa?

A resposta mais honesta será “dificilmente”. E isto acontece por um conjunto de fatores, da perda de benefícios dos automóveis a gasóleo às melhorias que os elétricos apresentam, a começar pela autonomia, cada vez mais acima dos 300 quilómetros (mas com soluções que admitem praticamente o mesmo que um depósito de combustível fóssil), como pela possibilidade de as suas baterias serem recarregadas até 80% em escassos minutos – ainda que não seja o melhor comportamento a ter se se pretende apostar na durabilidade das baterias.

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Se, na utilização, o elétrico já não perde tantos pontos para os Diesel como antigamente, no capítulo da aquisição andam praticamente a par e passo, com os preços a aproximarem-se. Mas com uma vantagem para o carro movido a energia elétrica: 100% do IVA pode ser abatido por uma empresa, o que significa que a aquisição do veículo sairá sempre mais em conta. Ou então que uma companhia pode dar-se ao luxo de ir buscar carros melhorzinhos pelo mesmo preço que daria por um Diesel. É que o valor máximo para se poder abater o IVA no caso dos veículos 100% elétricos é de 62.500€.

Já em termos de tributação autónoma, um imposto que atormenta as empresas e empresários que detêm frotas automóveis, os elétricos estão isentos mesmo quando custam mais de 35 mil euros.

Então os carros elétrico são mais vantajosos?

Calma! Apesar de as contas de cabeça apontarem para um claro “sim”, não avance para a compra de um elétrico sem consultar o seu contabilista. É que, por exemplo, para que uma empresa possa deduzir 100% do IVA é preciso que a mesma esteja catalogada como um sujeito passivo de IVA na atividade profissional.

No entanto, analisado o TCO (do inglês Total Cost of Ownership, ou seja, custo total da propriedade), os veículos movidos a eletricidade (que também requerem menos manutenção e têm menos componentes que possam dar despesa) parecem cada vez mais apetecíveis.

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Sobretudo se a candidatura ao Fundo Ambiental for aceite: o incentivo à introdução no consumo de veículos de zero emissões prevê, este ano, que uma empresa possa beneficiar de 2000€ em veículos ligeiros de passageiros e 3000€ em ligeiros de mercadorias. Mas atenção: cada empresa apenas tem direito a quatro incentivos.

E para 2022? Para já, e dada a necessidade de reduzir emissões e caminhar em direção ao futuro mais limpo decretado pela União Europeia, que em 2035 vai proibir a venda de veículos novos alimentados por qualquer combustível fóssil, é muito provável que os incentivos (assim como os benefícios) aos elétricos se mantenham.

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