Renault emprega 350 robôs humanoides na linha de montagem

A Renault começou a integrar os primeiros robôs de última geração na fábrica de Douai, França, para aliviar trabalhadores das tarefas mais pesadas e repetitivas. O modelo Calvin-40, desenvolvido por uma startup francesa especializada em exoesqueletos inteligentes, já anda pelas linhas de montagem a colocar pneus e transportar painéis. Mas fará mais… e mais rápido.

A medida também faz parte de um plano estratégico mais amplo da marca francesa para reduzir o tempo de produção de cada veículo em 30% e cortar os custos operacionais em 20% ao longo de cinco anos. E, nos próximos 18 meses, a marca prevê aumentar este “efetivo” para 350 unidades.

Um “colega” que não tira folgas

O Calvin-40 não tenta imitar a aparência humana, ao contrário de modelos como o Optimus da Tesla, esta máquina está desenhada para ser eficaz em ambiente industrial. É bípede, permitindo uma forma de locomoção eficiente, e não precisa de cabeça. Consegue levantar cargas até 40 quilos, centenas de vezes por dia, sem precisar de pausas. Para “comunicar” com os humanos, o robô usa um sistema de luzes LED, que interpreta as informações recolhidas pelas câmaras que tem instaladas na zona da cintura.

Esta é a segunda geração do robô. A primeira estreou-se em abril de 2025, mas a Wandercraft conseguiu duplicar a velocidade da máquina em apenas seis meses, recorrendo a treinos baseados em inteligência artificial. O potencial da tecnologia convenceu a Renault a investir 69 milhões de euros na startup em junho de 2025, garantindo uma participação minoritária.

Máquinas para aliviar humanos, não para substituir

Robôs inteligentes assumem tarefas repetitivas na produção automóvel

Os Calvin-40 foram selecionados precisamente pela sua capacidade de se deslocarem e operarem em espaços que foram originalmente pensados para pessoas, ao contrário dos tradicionais braços robóticos, que estão confinados a células de trabalho isoladas. Mas a Renault faz questão de sublinhar que os robôs não vão substituir pessoas.

Thierry Charvet, diretor de produção da marca, explicou que a montagem final, onde a rapidez e a destreza manual são mais necessárias, continua entregue unicamente a humanos. “Não existem robôs a assumir o lugar das pessoas na montagem final, onde se colocam todas as peças no carro, porque falta velocidade e destreza”, afirmou.

O objetivo é que os autómatos fiquem com o trabalho pesado e repetitivo, permitindo que os operários se concentrem em tarefas mais qualificadas. “Queremos que a nossa equipa se foque no que realmente interessa: inovação, qualidade e soluções criativas”, explicou a marca em comunicado. Mas admite que, no futuro, estes robôs possam vir a desempenhar tarefas mais complexas.

Tesla e BMW lideram corrida aos robôs

Para além da Renault, várias outras marcas automóveis estão a integrar ou a planear integrar robôs humanoides nas suas fábricas. A BMW, por exemplo, já realizou testes bem-sucedidos com o robô Figure 02 da Figure AI na produção do BMW X3 nos EUA e iniciou um projeto-piloto na Alemanha com o robô AEON da Hexagon. A Mercedes-Benz também está a testar o robô Apollo da Apptronik em tarefas de logística e verificação de qualidade nas suas unidades na Alemanha e Hungria. E a Hyundai, através da sua unidade Boston Dynamics, pretende “dar emprego” ao seu robô Atlas em fábricas nos EUA a partir de 2028. Já a Tesla continua a desenvolver o seu próprio robô, o Optimus, com a intenção de o utilizar em massa nas suas instalações, mas também de avançar para a comercialização a preços muitos competitivos.

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