30 março 2026

Renault emprega 350 robôs humanoides na linha de montagem

Produção automóvel modernizada com integração de robôs humanoides

Renault emprega 350 robôs humanoides na linha de montagem

A Renault começou a integrar os primeiros robôs de última geração na fábrica de Douai, França, para aliviar trabalhadores das tarefas mais pesadas e repetitivas. O modelo Calvin-40, desenvolvido por uma startup francesa especializada em exoesqueletos inteligentes, já anda pelas linhas de montagem a colocar pneus e transportar painéis. Mas fará mais… e mais rápido.

A medida também faz parte de um plano estratégico mais amplo da marca francesa para reduzir o tempo de produção de cada veículo em 30% e cortar os custos operacionais em 20% ao longo de cinco anos. E, nos próximos 18 meses, a marca prevê aumentar este “efetivo” para 350 unidades.

Um “colega” que não tira folgas

O Calvin-40 não tenta imitar a aparência humana, ao contrário de modelos como o Optimus da Tesla, esta máquina está desenhada para ser eficaz em ambiente industrial. É bípede, permitindo uma forma de locomoção eficiente, e não precisa de cabeça. Consegue levantar cargas até 40 quilos, centenas de vezes por dia, sem precisar de pausas. Para “comunicar” com os humanos, o robô usa um sistema de luzes LED, que interpreta as informações recolhidas pelas câmaras que tem instaladas na zona da cintura.

Esta é a segunda geração do robô. A primeira estreou-se em abril de 2025, mas a Wandercraft conseguiu duplicar a velocidade da máquina em apenas seis meses, recorrendo a treinos baseados em inteligência artificial. O potencial da tecnologia convenceu a Renault a investir 69 milhões de euros na startup em junho de 2025, garantindo uma participação minoritária.

Máquinas para aliviar humanos, não para substituir

Os Calvin-40 foram selecionados precisamente pela sua capacidade de se deslocarem e operarem em espaços que foram originalmente pensados para pessoas, ao contrário dos tradicionais braços robóticos, que estão confinados a células de trabalho isoladas. Mas a Renault faz questão de sublinhar que os robôs não vão substituir pessoas.

Thierry Charvet, diretor de produção da marca, explicou que a montagem final, onde a rapidez e a destreza manual são mais necessárias, continua entregue unicamente a humanos. “Não existem robôs a assumir o lugar das pessoas na montagem final, onde se colocam todas as peças no carro, porque falta velocidade e destreza”, afirmou.

O objetivo é que os autómatos fiquem com o trabalho pesado e repetitivo, permitindo que os operários se concentrem em tarefas mais qualificadas. “Queremos que a nossa equipa se foque no que realmente interessa: inovação, qualidade e soluções criativas”, explicou a marca em comunicado. Mas admite que, no futuro, estes robôs possam vir a desempenhar tarefas mais complexas.

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Tesla e BMW lideram corrida aos robôs

Para além da Renault, várias outras marcas automóveis estão a integrar ou a planear integrar robôs humanoides nas suas fábricas. A BMW, por exemplo, já realizou testes bem-sucedidos com o robô Figure 02 da Figure AI na produção do BMW X3 nos EUA e iniciou um projeto-piloto na Alemanha com o robô AEON da Hexagon. A Mercedes-Benz também está a testar o robô Apollo da Apptronik em tarefas de logística e verificação de qualidade nas suas unidades na Alemanha e Hungria. E a Hyundai, através da sua unidade Boston Dynamics, pretende “dar emprego” ao seu robô Atlas em fábricas nos EUA a partir de 2028. Já a Tesla continua a desenvolver o seu próprio robô, o Optimus, com a intenção de o utilizar em massa nas suas instalações, mas também de avançar para a comercialização a preços muitos competitivos.

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