Land Rover prepara “baby Defender”, o primeiro 100% elétrico

A família Defender vai crescer em 2027, com a chegada da primeira versão exclusivamente elétrica, num formato compacto e mais urbano do que as propostas a combustão.
Com a designação Defender Sport e um comprimento estimado em pouco mais de 4,5 metros, o novo Land Rover elétrico virá assumir o papel de modelo de entrada da gama, ficando a meio caminho entre o atual Defender 90 (que mede cerca de 4,3 metros, só com três portas) e o Defender 110 de cinco portas (4,75 m), herdando a aerodinâmica desafiadora do design icónico e quadrado dos congéneres a combustão, mas com o propósito de se afirmar como “líder da categoria nas qualidades que definem um Defender”: robustez, durabilidade e capacidade todo-o-terreno.
Plataforma EMA e desafios técnicos
Ao contrário do que se possa pensar, o Defender Sport não será uma simples versão elétrica do Defender 90. A marca britânica sublinha que se trata de um projeto totalmente novo, desenvolvido de raiz para acomodar as exigências estruturais de um grupo motopropulsor elétrico.
Será o primeiro Defender a assentar na nova plataforma EMA (Electrified Modular Architecture) da Jaguar Land Rover (JLR), uma arquitetura modular de 800V, especificamente desenhada para veículos elétricos e que servirá de base a futuros modelos do grupo, como os próximos Range Rover Evoque e Velar. Esta aposta na EMA permitirá uma integração otimizada das baterias no piso, contribuindo para um centro de gravidade mais baixo e, muito provavelmente, tração integral com dois motores elétricos.
No entanto, segundo os responsáveis da marca, a eletrificação colocou desafios à capacidade de vau, sempre muito relevante para um cliente que privilegia as credenciais dinâmicas em fora de estrada. A integração das baterias implica um curso e articulação das rodas inferiores aos dos atuais modelos a combustão, mas os engenheiros estão neste momento muito focados em compensar estas “limitações” com a tecnologia de ponta que a marca tem à disposição no Grupo.
Estratégia de luxo e posicionamento elitista
Mais compacto e 100% elétrico, sim. Menos Land Rover que os demais, não! É possível que o futuro Defender Sport vá atrair um novo tipo de cliente, possivelmente mais jovem e urbano, mais adepto de tecnologia também, mas os britânicos não estão na disposição de ceder um milímetro no seu estatuto e posicionamento. De acordo com o diretor-geral Mark Cameron, o objetivo é mesmo consolidar a Defender como uma “marca de estilo de vida de luxo”, autónoma e posicionada lado a lado com a Range Rover.
De resto, espera-se que o novo Defender Sport apresente um design que corresponda à linguagem visual do atual Defender a combustão, embora com alguns elementos distintos, como faróis dianteiros mais finos, uma frente mais inclinada para melhorar a aerodinâmica e as características proteções negras nas cavas das rodas.
“O Defender sempre foi sinónimo de aventura, capacidade e durabilidade. Sabemos que os nossos clientes valorizam muito a sua natureza imparável e muitos escreveram-me a contar exatamente como utilizam o seu. Ver um Defender bem usado lembra-me tanto das pequenas aventuras do dia a dia como das grandes expedições que, sabemos, os nossos clientes tanto apreciam. É para isto que o Defender foi concebido”, afirmou Cameron.
No interior, o “baby Defender” também deverá guardar novidades, incluindo a estreia de um novo sistema multimédia com um grande ecrã tátil, que antecipa a futura interface unificada da JLR (Jaguar e Land Rover).
Lançamento “sem pressas” e preço
Mark Cameron também abordou o calendário de lançamentos, afirmando que a marca não vai reduzir os ciclos de testes para acelerar a estreia. O compromisso assumido é de manter os rigorosos padrões de qualidade, o que implica, para cada modelo novo, pelo menos dois ciclos de testes em climas frios e outros dois em climas quentes. “Se não conservarmos o ADN do Defender, tornamo-nos apenas mais uma marca de SUV”, acrescentou.
Significa também que, na fase do desenvolvimento em que se encontra a nova proposta 100% elétrica da Land Rover, não haverá nenhuma pista sobre os preços a que chegará ao mercado, embora as estimativas mais recentes apontem para um valor de entrada na ordem dos 60.000 euros, em linha com os Evoque e Discovery Sport híbridos.