Lamborghini fecha 2025 com novo recorde de vendas

O desempenho comercial recorde assentou em dois pilares fundamentais: o Revuelto, primeiro superdesportivo híbrido V12 da marca, e o Urus SE, a versão híbrida plug-in do SUV mais vendido da casa italiana.
A Lamborghini voltou a fazer história em 2025, ao consolidar a sua posição como uma das marcas mais lucrativas no universo dos superdesportivos de luxo. Apesar de um contexto económico global instável, a marca de Sant’Agata Bolognese conseguiu fechar o ano com uma faturação de 3200 milhões de euros, o segundo valor mais alto de sempre, e estabeleceu um novo recorde de vendas ao entregar 10.747 viaturas.
No capítulo financeiro, o lucro operacional fixou-se nos 768 milhões de euros, o que representa uma margem de 24%. Ainda que este valor fique ligeiramente aquém dos 27% de 2024, é celebrado pelo facto de ter ocorrido num ano marcado pelo impacto das tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos, o principal mercado da marca, e pelos custos extraordinários relacionados com o cancelamento dos planos para um primeiro veículo totalmente elétrico.
“O desempenho de 2025 prova que a nossa força vai além dos resultados financeiros. Conseguimos crescer, salvaguardar a rentabilidade e aumentar o prestígio da marca num ambiente desafiante, graças a uma estratégia disciplinada, visão de futuro e dedicação total ao produto”, sublinhou Stephan Winkelmann, presidente e CEO da Lamborghini.
Revuelto e Urus lideram crescimento
O desempenho comercial recorde assentou em dois pilares fundamentais: o Revuelto, primeiro superdesportivo híbrido V12 da marca, e o Urus SE, a versão híbrida plug-in do SUV mais vendido da casa italiana. O Revuelto, com um preço base de 515 mil euros, registou uma procura tão intensa que a carteira de encomendas já cobre a produção até ao final de 2026.
A nível geográfico, a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) manteve-se como principal mercado, com 4.650 unidades entregues, seguida pelas Américas (3.347) e pela região Ásia-Pacífico (2.750). A ligeira quebra no mercado americano reflete precisamente o impacto das tarifas introduzidas durante o ano.
Temerario chega em 2026 com motor a 10.000 rpm
Para 2026, as expetativas são de que o ritmo ascendente se mantenha, impulsionado pela chegada do Temerario, sucessor do Huracán que completa a transição para uma linha totalmente híbrida. Este novo modelo apresenta um sistema de propulsão inédito, combinando um motor 4.0 V8 biturbo com três motores elétricos, capaz de atingir as 10.000 rpm, um feito inédito num motor de série, e debitar uns impressionantes 907 cv de potência.
A produção do Temerario arrancou em janeiro de 2026 e a marca já revelou que a carteira de encomendas se estende por cerca de 12 meses, sinal da força do modelo. Com esta chegada, a Lamborghini torna-se o único fabricante de superdesportivos de luxo com uma gama completamente eletrificada, cumprindo a estratégia Direzione Cor Tauri.
Personalização continua a ser alavanca de valor
O programa de personalização Ad Personam manteve-se como uma das principais fontes de valor acrescentado para a marca: em 2025, 94% dos veículos entregues incluíram pelo menos um elemento personalizado, um número que evidencia a importância da exclusividade junto dos clientes Lamborghini.
Paralelamente, a divisão Squadra Corse apresentou durante o ano o Temerario GT3, o primeiro carro de competição integralmente desenvolvido pela Lamborghini, e o Fenomeno, uma série especial limitada a apenas 29 unidades equipada com o motor V12 mais potente fabricado pela casa italiana.
Estratégia elétrica em revisão
Apesar do sucesso da hibridização, a Lamborghini recuou nos planos para um desportivo totalmente elétrico em 2030, citando a fraca procura e as dúvidas sobre o retorno do investimento. No seu lugar, a marca lançará o Lanzador, um Gran Turismo "2+2" com tecnologia híbrida plug-in, para somar aos três modelos já existentes.
"A resistência aos elétricos aumentou significativamente em todo o mundo no nosso segmento", explicou Winkelmann. "Muitos clientes experimentaram elétricos, mas a experiência não correspondeu às expectativas."