Ao volante do novo Mercedes-Benz CLA 250+, o elétrico com mais de 750km de autonomia

Eleito Carro do Ano na Europa, o novo CLA marca o início de uma nova era elétrica para a Mercedes-Benz, distanciando-se claramente dos anteriores modelos EQ, construído sobre uma arquitetura dedicada de 800 V e prometendo mais de 750 km de autonomia com a mais-valia do carregamento ultrarrápido (até 320 kW). A promessa são 22 minutos para recarregar a maior parte da bateria (10 a 80%), embora a atual impossibilidade de usar carregadores de 400 V – ainda os mais comuns em Portugal – seja um senão a ter em conta, com solução anunciada para breve.
Design: A forma ao serviço da função
Tecnologicamente muito forte, o CLA de última geração tem também como cartão de visita o design. O modelo mantém a silhueta estilo coupé de quatro portas, que é agora ainda mais pura, com um teto panorâmico de série e um obsessivo trabalho aerodinâmico. Mas
tudo o resto muda. A começar nas medidas exteriores, que crescem para os 4,72 metros de comprimento (+3,5 cm), enquanto a distância entre eixos cresce quase o dobro: 6 cm. Depois, uma linha do tejadilho é fluida, os puxadores das portas embutidos e a grelha frontal é selada, dominada por uma barra de luz horizontal e uma “constelação” de 142 estrelas, enquanto a traseira repete o tema luminoso com faróis em forma de estrela. O resultado é um conjunto que parece autenticamente esculpido pelo, com um coeficiente de arrasto de 0.21 Cd. Opções como jantes AMG de 19” (1.600 €) ou a linha estética AMG (3.350 €) acentuam mais o seu visual moderno.
Salão digital e o mais inteligente de sempre
O interior, também tipicamente Mercedes, apresenta uma estética minimalista que elimina elementos supérfluos. A abordagem despojada desvia o foco da estrutura técnica e valoriza alguns componentes tecnológicos de referência. O elemento central é o opcional MBUX Superscreen, um conjunto de ecrãs aparentemente flutuante que se estende lateralmente no tablier. Por trás de um amplo vidro, integram-se um quadro de instrumentos de 26 cm (10,25 polegadas) e um ecrã central de 35,6 cm (14 polegadas). Este sistema pode incluir ainda um terceiro ecrã, com as mesmas 14 polegadas, dedicado ao passageiro dianteiro.
Este é o primeiro modelo a operar integralmente com o Sistema Operativo Mercedes-Benz (MB.OS), uma plataforma desenvolvida internamente, o que o posiciona como o Mercedes-Benz mais inteligente até à data. O sistema, aprimorado por Inteligência Artificial, permite a integração de um supercomputador a bordo, ligado à Nuvem Inteligente da marca, o que potencia uma interação mais rica e natural com os ocupantes. Caracteriza-se pela sua adaptabilidade, por uma operação extremamente rápida e fluída, e por uma interface intuitiva que constitui um trunfo para o CLA. Esta arquitetura viabiliza atualizações regulares over-the-air para as funcionalidades mais importantes do veículo, incluindo, pela primeira vez, os próprios sistemas de assistência à condução.
Na vista de aplicações, os ícones podem agora ser organizados e reunidos em pastas com nomes personalizados, tal como num smartphone. Com uma aplicação aberta, um simples deslizar do dedo para a esquerda permite regressar à vista de aplicações. Um segundo gesto de deslizar leva o utilizador diretamente para a Camada Zero. Como alternativa, é possível aceder a esta camada principal em qualquer momento, através do botão Home dedicado.
A climatização mantém-se sempre visível na interface, mas a opção pelos comandos tácteis para os vidros pode ser pouco prática: dois botões servem tanto para os vidros dianteiros como para os traseiros, sendo a sua função alternada através de outro botão.
Habitabilidade: o preço do estilo
No interior, a sensação de qualidade continua intocável, com uma escolha criteriosa dos materiais e rigor na montagem. Todas as superfícies ao alcance são agradáveis ao toque, enquanto o espaço a bordo, curiosamente, torna-se mais limitado em algumas cotas.
O espaço para as pernas nos lugares traseiros é apenas correto. E a largura, tanto na fila dianteira como na traseira, não é abundante. Por isso, quatro ocupantes viajam em melhores condições de conforto. Mas, o principal senão prende-se mesmo com a altura disponível para os ocupantes traseiros. Um adulto com 1,80 metros sentado numa posição mais direita irá, com certeza, roçar com a cabeça no forro interior, precisamente no ponto de transição onde o teto panorâmico termina. A sensação de espaço fica levemente comprometida pelo perfil da carroçaria, que se afunila de forma acentuada à medida que linha de tejadilho desce em direção à mala. Neste capítulo, o Tesla Model 3, embora não seja exemplo de uma habitabilidade excecional, oferece maior folga. Mas o rival BMW i4 não faz muito melhor.
A bagageira do CLA, com uma volumetria útil de 405 litros (menos 20 que o Tesla Model 3 e menos 65 que o BMW i4), é complementada por um frunk de 101 litros.
Eficiência com alma desportiva
A variante elétrica intermédia 250+ conta com um motor síncrono na traseira, que oferece 272 CV e 335 Nm de binário, garantindo acelerações intensas em qualquer modo escolhido no seletor de condução. Traduzindo para números, isto significa uma aceleração de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos e uma velocidade máxima de 210 km/h. A forma imediata como liberta a potência impressiona e confere um carácter quase desportivo à condução, especialmente no programa ‘Sport’. No entanto, a sua grande conquista reside no equilíbrio com a eficiência energética: promete até 790 km de autonomia combinada (a unidade do nosso teste, com jantes de 19”, anuncia 743 km), graças a uma bateria de 85 kWh. Os dados do ensaio confirmam a sua competência, com um consumo reduzido (14 kWh/100 km), explicado por dois fatores – os quatro níveis de travagem regenerativa, desde o D+ (sem retenção) até ao modo ‘Auto’, que ajusta a recuperação de energia conforme as necessidades, e a presença de uma transmissão automática de duas velocidades, que optimiza a eficiência. A primeira velocidade permite uma excelente aceleração desde o arranque e uma elevada capacidade de tração. A segunda velocidade foi concebida para fornecer potência a velocidades elevadas e um elevado rendimento em autoestrada. O momento exato da mudança entre estas não é pré-definido, variando em função da intensidade do pedal do acelerador, do modo de condução ativo e do nível de carga da bateria. Uma única regra é invariável: a partir dos 110 km/h, o veículo circula obrigatoriamente em segunda velocidade.
A este desempenho junta-se um equilíbrio notável entre um refinado conforto e uma agilidade desportiva. O modelo responde com precisão à direção e proporciona uma segurança excepcional em curva, sem comprometer o comportamento em piso degradado. E complementam esta experiência um habitáculo extremamente silencioso e a possibilidade de ativar sonoridades artificiais, que permitem personalizar a sensação ao volante.
A posição de condução é também uma agradável surpresa: não é claustrofóbica ou excessivamente baixa, como o formato coupé de 4 portas podia fazer adivinhar. Pelo contrário, oferece uma visibilidade panorâmica excelente, com montantes finos e uma linha de capot baixa.
Gama bem escalonada e a segurança como prioridade
A gama do novo CLA apresenta opções bem diferenciadas. A entrada de gama, o CLA 200 com tecnologia EQ (48.750 €), dispõe de motor traseiro com 224 CV e uma bateria de apenas 58 kWh, custando apenas mais 600 € do que o seu homólogo a gasolina. No topo, o CLA 350 4MATIC (60.050 €) oferece potência e tração integral com os seus 354 CV e a maior bateria de 85 kWh. Contudo, é nesta versão intermédia CLA 250+ (55.500 €) que encontramos a proposta aparentemente mais equilibrada e redonda para o utilizador comum, conjugando uma autonomia prática notável com um desempenho mais do que suficiente e um preço ainda contido. Esta perceção de equilíbrio e competência abrangente estende-se, e de que maneira, ao capítulo da segurança. Não surpreende, portanto, que o novo CLA tenha sido distinguido como o carro mais seguro testado pelo EuroNCAP em 2025. Os resultados falam por si: 94% na proteção de ocupantes adultos, 89% para crianças, 93% na proteção de utilizadores vulneráveis e 85% nos sistemas de assistência. Sem dúvida, uma camada extra de valor e tranquilidade num modelo que já se destaca pela sua inteligência e eficiência.

















