Ao volante do Dacia Duster Hybrid-G 4×4: O primeiro motor “tri-fuel” da história

Com o preço dos combustíveis constantemente em alta, os portugueses olham cada vez mais para alternativas. Normalmente, falamos de híbridos e elétricos. Mas há uma solução que continua algo esquecida e que, pelo menos no papel, parece acertar em quase tudo: o GPL.
Hoje, este é um território amplamente dominado pela Dacia, e, de forma geral, pelo grupo Renault, e a verdade é que as vantagens são difíceis de ignorar, sobretudo no preço por litro. Ainda assim, este Duster em particular vai mais longe. Não é apenas gasolina, nem apenas GPL. Na prática, é um verdadeiro “tri-fuel”: combina motor de combustão, gás e um sistema híbrido capaz de o fazer circular em modo 100% elétrico.
Como se isso não bastasse, é precisamente esse sistema híbrido que lhe permite assumir-se como um verdadeiro 4x4, daqueles que não têm receio de sair do asfalto. E há ainda um detalhe importante: paga Classe 1 nas portagens. À primeira vista, parece uma proposta quase perfeita. Mas quando um carro promete fazer tudo, é legítimo questionar se não haverá compromissos.
Apesar de manter dimensões muito semelhantes à geração anterior, a Dacia operou mudanças profundas no Duster. O resultado é um modelo que, sem crescer, aparenta ser mais sólido, moderno e melhor preparado para aquilo que sempre prometeu: um SUV urbano com verdadeira aptidão fora de estrada.
Essa evolução é particularmente evidente nesta versão Hybrid-G 4x4, atualmente a única da nova geração com tração integral. A distância ao solo aumentou para 217 mm, reforçando a sensação de robustez e preparação para terrenos mais exigentes.
Mas não se trata apenas de aparência. Há melhorias reais na capacidade fora de estrada. O Duster conta com vários modos de condução adaptados a diferentes superfícies e ângulos de todo-o-terreno mais favoráveis: 36º de ângulo de saída e 24º de ângulo ventral, além da capacidade de superar inclinações superiores a 30º. Soma-se ainda a utilização de materiais exteriores mais resistentes a riscos. Detalhes que fazem diferença na prática.
Interior
No interior, mantém-se a evolução já conhecida: um ambiente simples, sem grandes luxos, mas bem conseguido. Os materiais não impressionam ao toque, mas transmitem robustez e honestidade, alinhadas com o espírito do modelo.
Face a outras motorizações, esta versão “tri-fuel” acrescenta também algum equipamento de série que a torna mais apelativa, como o painel de instrumentos digital de 7 polegadas, o ecrã central de 10 polegadas com espelhamento de smartphone sem fios e câmara de marcha-atrás. A versão Extreme adiciona extras como keyless entry e acabamentos diferenciados.
O único verdadeiro compromisso está na bagageira. A presença da bateria e do motor elétrico sob o eixo traseiro reduz a capacidade para cerca de 400 litros. Ainda assim, continua suficiente para uma utilização familiar.
Ao volante
Em cidade, o sistema híbrido revela-se competente. É possível circular até cerca de 60% do tempo em modo 100% elétrico, o que resulta numa condução mais suave e silenciosa. O motor elétrico tem capacidade suficiente para lidar com o trânsito urbano sem esforço.
No total, o sistema debita cerca de 150 cv. O motor elétrico desempenha um papel importante na eficiência e no apoio em aceleração, enquanto o motor térmico foi otimizado para funcionar a GPL, combustível onde atinge o seu melhor desempenho, com cerca de 150 cv e 200 Nm.
Na prática, isto traduz-se em custos de utilização mais baixos sem penalizar significativamente a resposta. Em termos de consumos, é possível contar com médias reais de cerca de 7 L/100 km a gasolina e aproximadamente 9,5 L/100 km em GPL. Com ambos os depósitos, a autonomia combinada ultrapassa facilmente os 1.200 km, um argumento forte para quem percorre muitos quilómetros. A isto junta-se o facto de pagar Classe 1 nas portagens, reforçando o lado racional da proposta.
Nos modos de condução, destaca-se o 4x4 Lock. Aqui, o motor térmico funciona essencialmente como gerador, garantindo energia constante ao eixo traseiro elétrico. O resultado é uma tração consistente, mesmo em pisos de baixa aderência.
A caixa automática de dupla embraiagem (EDC) é talvez o ponto menos conseguido. Nem sempre está totalmente afinada com o sistema híbrido, havendo alguma hesitação em situações como rotundas ou acelerações mais rápidas. Nada crítico, mas suficiente para retirar alguma fluidez.
Por outro lado, as patilhas no volante permitem maior controlo das mudanças, sendo úteis tanto no dia a dia como fora de estrada, onde a gestão do regime do motor pode fazer diferença.
A direção também não se destaca: é pouco comunicativa e bastante desmultiplicada. Cumpre no quotidiano, mas está longe de ser uma referência. Ainda assim, é fora de estrada que este Duster mostra verdadeiramente ao que vem. Este é um 4x4 genuíno, e isso sente-se quando o piso desaparece. Mesmo em situações exigentes, transmite confiança e dificilmente deixa o condutor em dificuldades.
O sistema de controlo de tração está bem afinado e consegue gerir eficazmente cenários de baixa aderência, permitindo ultrapassar obstáculos com uma facilidade pouco comum no segmento.
No global, pode não ser o mais refinado, mas é precisamente nessa honestidade que reside parte do seu encanto. Um carro que não tenta ser mais do que aquilo que é, e que, dentro dessa proposta, acaba por fazer quase tudo bem.
Preços
Em termos de preços, o Duster começa nos 19.900€ na versão a gasolina com GPL de 120 cv, e vai até aos 28.850€ nesta versão Hybrid-G 4x4 com cerca de 150 cv.
Para empresas e ENI, há ainda a possibilidade de deduzir até 50% do IVA nas versões a GPL, um fator que ajuda a explicar a crescente popularidade destas motorizações como alternativa aos modelos 100% elétricos.





















