Volkswagen pode vir a cortar 20% nos custos até 2028

A Volkswagen estará a preparar um novo plano de reestruturação que prevê um corte de 20% nos custos até 2028, não estando excluída a possibilidade de encerramento de fábricas.
A queda nas vendas, os elevados custos de produção, o crescimento das marcas chinesas na Europa e a crescente robotização estão a pressionar fabricantes e fornecedores alemães a reforçarem a sua competitividade, e a Volkswagen não é exceção. Segundo a publicação alemã Manager Magazin, o presidente executivo da VW, Oliver Blume, e o diretor financeiro do emblema, Arno Antlitz, apresentaram no mês passado, numa reunião interna com a liderança do grupo, um plano de poupanças considerado “maciço”.
A notícia não passou despercebida em Palmela, que não deverá ser imune a um futuro plano de redução de custos, embora tenha já garantido a produção do novo automóvel elétrico ID.Every1 (na imagem).
Há cerca de 18 meses, a Volkswagen já tinha anunciado uma profunda reestruturação das suas marcas e unidades industriais, com o objetivo de poupar até dez mil milhões de euros. Na altura, a decisão foi descrita na Alemanha como “um terramoto” numa das empresas mais emblemáticas do país.
O acordo então alcançado com o sindicato previa a redução de 35 mil postos de trabalho até 2030, num universo de 135 mil trabalhadores, sobretudo através de reformas e saídas negociais. A empresa estimou que essa medida permitiria poupar 1,5 mil milhões de euros por ano, embora sem detalhar plenamente a execução do plano.
Mas, agora, a nova iniciativa, discutida à porta fechada, vai mais longe e pretende garantir níveis de lucro sustentáveis num ambiente competitivo mais exigente. Ainda não são conhecidos os detalhes concretos sobre onde incidirão os novos cortes nem como será reforçada a cooperação entre marcas, mas o encerramento de unidades industriais está em cima da mesa.
A Volkswagen recusou comentar oficialmente os relatos até à apresentação dos resultados anuais, marcada para 10 de março. No entanto, um porta-voz afirmou que, desde o lançamento do programa de reestruturação há três anos, o grupo já conseguiu poupanças na ordem de “dezenas de milhares de milhões de euros”, o que terá ajudado a mitigar impactos geopolíticos, como as tarifas nos Estados Unidos.