Quem está a pensar vender um carro usado pode concentrar-se na marca, quilometragem, idade ou estado de conservação. Mas há um fator que pode fazer uma diferença de várias semanas até encontrar comprador: o preço.

Os dados do Market Insights do Standvirtual relativos ao primeiro semestre de 2026 mostram diferenças significativas no tempo médio de permanência em stock consoante o escalão de preço. Em junho, os automóveis anunciados por menos de 15.000 euros apresentavam uma estimativa média de 38 dias para escoar o stock. Entre os 15.000 e os 30.000 euros, esse valor subia para 56 dias.

São 18 dias de diferença que ajudam a perceber como o preço pode influenciar a rapidez com que um automóvel encontra comprador.

Abaixo dos 15.000 euros, os carros saem mais depressa

O segmento mais acessível é também aquele em que existe maior fluidez entre oferta e procura.

Em junho de 2026, os automóveis abaixo dos 15.000 euros registavam um Market Day Supply (MDS) de 38 dias. Um ano antes, em junho de 2025, eram necessários 48 dias e, em junho de 2019, 51 dias.

O MDS não significa que todos os carros deste escalão sejam vendidos exatamente em 38 dias. É uma estimativa média do número de dias necessários para escoar o stock existente tendo em conta a dinâmica entre oferta e procura.

E é precisamente essa relação que favorece os automóveis mais baratos.

Neste escalão, a procura apresentava em junho um crescimento homólogo de 25%, enquanto a oferta aumentava apenas 4%. A dinâmica resultante era positiva em 21%.

Ou seja, há procura a crescer bastante mais depressa do que a quantidade de automóveis disponíveis.

Entre 15.000 e 30.000 euros, a espera aumenta para 56 dias

Painel com dois relógios e calendários a comparar 38 dias versus 56 dias de tempo de venda, representando o impacto do preço num anúncio de carro usado

A situação muda quando passamos para o intervalo entre os 15.000 e os 30.000 euros.

Aqui, o MDS atingia 56 dias em junho de 2026. Ainda assim, há uma pequena melhoria face aos 57 dias registados tanto em maio como em junho de 2025.

A diferença está novamente na relação entre oferta e procura.

Neste escalão, a oferta cresceu 8% em termos homólogos, enquanto a procura caiu 7%. A dinâmica de mercado ficou, assim, negativa em 15%.

É praticamente o cenário inverso daquele que encontramos abaixo dos 15.000 euros: há mais oferta, mas menos procura.

Para quem está a vender, isso significa enfrentar maior concorrência e, em média, uma permanência mais longa no mercado.

E acima dos 30.000 euros?

Pessoa a comparar anúncios de carros usados num computador portátil, com tabelas de preços visíveis no ecrã, num ambiente doméstico

Subir ainda mais o preço não melhora a situação.

Nos automóveis anunciados por 30.000 euros ou mais, a estimativa média atingiu os 60 dias de stock em junho de 2026.

É mais do que os 55 dias registados em maio, embora continue abaixo dos 70 dias observados em junho de 2025 e dos 60 dias de junho de 2019.

Também aqui existe pressão na relação entre oferta e procura: a oferta cresceu 10% em termos homólogos, enquanto a procura recuou 1%, resultando numa dinâmica negativa de 11%.

Assim, os dados de junho desenham três realidades bastante distintas: 38 dias abaixo dos 15.000 euros, 56 dias entre os 15.000 e os 30.000 euros e 60 dias a partir dos 30.000 euros.

O mercado de usados está a mudar

Estes números surgem num momento em que o mercado português de usados está a entrar numa fase de maior equilíbrio.

No início de 2026, o crescimento da procura ainda superava claramente o da oferta. Em janeiro, a diferença entre ambas atingia 25,2%.

Nos meses seguintes, essa vantagem foi desaparecendo. Em junho, a procura cresceu 10,9% em termos homólogos, enquanto a oferta aumentou 12%, deixando a dinâmica ligeiramente negativa em 1,5%.

O primeiro semestre terminou, portanto, com muito menos pressão compradora do que aquela que se verificava no início do ano.

Definir o preço certo torna-se ainda mais importante

Os dados não significam que baixar um automóvel de 15.500 para 14.900 euros garanta automaticamente uma venda 18 dias mais rápida. O MDS representa médias de diferentes segmentos de preço e não mede isoladamente o efeito de alterar o preço de um determinado automóvel.

Mas mostra claramente onde está atualmente a maior fluidez do mercado.

Os usados abaixo dos 15.000 euros têm uma relação entre procura e oferta mais favorável e permanecem menos tempo em stock. À medida que o preço sobe, o tempo médio necessário para escoar os veículos também aumenta.

Para quem está prestes a colocar um carro à venda, há por isso uma conclusão importante: definir um preço competitivo não serve apenas para atrair mais interessados. Num mercado em que a oferta já cresce ligeiramente mais depressa do que a procura, pode também fazer uma diferença significativa no tempo que o anúncio permanece ativo.

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