12 dezembro 2025

Mazda captura CO2 durante a condução

Mazda3 Spirit Racing 3 em pista com motor a biodiesel HVO

Alinhando a sua visão de alcançar a neutralidade carbónica até 2050 com a necessidade de cumprir as metas europeias para 2030 e 2035, a Mazda decidiu levar a sua engenharia ao limite. A aposta passa por uma tecnologia pioneira de captura de CO2 durante a condução, que está já a ser posta à prova nas pistas do campeonato japonês Super Taikyu Series.

O laboratório sobre rodas para esta experiência audaciosa é o Mazda Spirit Racing 3 Future Concept, um veículo de competição baseado no Mazda3 Hatchback. Equipado com o sistema Mazda Mobile Carbon Capture, o protótipo utiliza um inovador filtro de zeólita – um material poroso – que atua como um íman para o dióxido de carbono presente nos gases de escape. O CO2 capturado é depois armazenado num tanque dedicado.

O destino final deste carbono "recolhido" é tão visionário quanto a tecnologia em si: poderá ser reutilizado na produção de materiais de alto desempenho ou mesmo para enriquecer a atmosfera de estufas agrícolas, potenciando o crescimento de plantas.

Solução neutra em carbono já circula na Europa

Para tornar o projeto ainda mais sustentável, o carro de competição não depende de combustíveis fósseis convencionais. O seu motor é alimentado por biodiesel (HVO 100), uma solução neutra em carbono que já circula nas estradas europeias.

Os primeiros testes em condições reais de competição, durante uma prova de quatro horas no Japão, revelaram "resultados muito prometedores", de acordo com a Mazda. O sucesso inicial encorajou a marca a planear a continuação do desenvolvimento da tecnologia na próxima temporada da Super Taikyu Series, com o objetivo de refiná-la e aumentar a eficiência da captura.

Esta incursão tecnológica não substitui, mas antes complementa, o caminho múltiplo que a Mazda traçou para a descarbonização. A marca continua a investir no alargamento da sua gama de veículos electrificados, dos híbridos ligeiros aos 100% elétricos, e no aperfeiçoamento da eficiência dos motores de combustão.

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Changan vai ajudar a Mazda a evitar multas

Ainda neste contexto, e num exemplo prático de como a cooperação internacional está a moldar o futuro da mobilidade, a Mazda e a chinesa Changan Automobile anunciaram uma parceria estratégica focada na redução da pegada de carbono. O acordo surge como uma resposta inteligente aos rigorosos regulamentos ambientais da União Europeia (UE), que impõem metas ambiciosas de emissões aos fabricantes.

A estratégia passa por um mecanismo de equilíbrio ambiental: as marcas que, como a Mazda, têm uma gama de veículos elétricos ainda em desenvolvimento, podem associar-se a construtoras com melhores resultados em eficiência energética. Ao "partilhar" ou adquirir créditos de carbono de uma empresa como a Changan – que tem investido fortemente em eletrificação para o mercado chinês, incluindo com modelos como o EZ-6 –, a Mazda consegue baixar a sua média de emissões e evitar pesadas coimas.

As regras da UE estipulam que os fabricantes enfrentam multas de 95 euros por cada grama de CO2 que exceda o limite legal, por veículo vendido. Perante a possibilidade de a indústria no seu conjunto ter de desembolsar milhares de milhões em sanções, a Comissão Europeia flexibilizou a sua abordagem, permitindo que a avaliação seja feita com base nas emissões médias do biénio 2025-2027.

Esta não é a primeira vez que a Mazda recorre a esta solução de equipa para cumprir as suas obrigações ambientais. A construtora japonesa já integra outro consórcio, liderado pela Tesla e que inclui gigantes como a Stellantis, Ford, Toyota e Subaru, demonstrando que a colaboração é agora tão crucial quanto a competição no setor.

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