Faz sentido comprar um carro que não seja híbrido em 2026?

Com o avanço da mobilidade elétrica e a popularização dos híbridos, muitos consumidores começam a questionar se vale a pena continuar a apostar em automóveis apenas a gasolina ou gasóleo. A resposta depende de vários fatores, desde o perfil de utilização até às mudanças fiscais e ambientais que estão a acontecer em Portugal e na Europa.
Os veículos híbridos, que combinam um motor de combustão com um sistema elétrico, tornaram-se uma opção cada vez mais comum entre quem procura eficiência sem abdicar da conveniência. Mas será que em 2026 já não fará sentido comprar um automóvel tradicional?
Os híbridos continuam a crescer em Portugal
Segundo dados da ACAP, em 2023, mais de 45% dos ligeiros de passageiros novos vendidos em Portugal tinham algum tipo de propulsão híbrida ou elétrica. Os híbridos não plug-in, também chamados de full hybrid ou híbridos convencionais, continuam a registar uma forte procura por parte de particulares devido à sua capacidade de circular apenas com eletricidade em trajetos curtos, sem necessidade de carregamento externo.
Este tipo de automóvel oferece consumos mais baixos em cidade, menor emissão de gases poluentes e, em alguns casos, acesso facilitado a zonas de baixas emissões que começam a surgir em cidades portuguesas. Além disso, continuam a beneficiar de vantagens fiscais, sobretudo quando adquiridos por empresas, o que influencia também o mercado de usados.
A gasolina ou gasóleo ainda fazem sentido?
Apesar da crescente popularidade dos híbridos, os carros com motores exclusivamente a combustão ainda representam uma parte significativa do mercado. Em 2023, os modelos a gasolina foram responsáveis por mais de 30% das vendas em Portugal, e os diesel mantêm alguma relevância em segmentos específicos, como os SUV médios ou veículos para longas distâncias.
Para condutores que fazem muitos quilómetros em autoestrada, um carro diesel continua a ser mais eficiente do que muitos híbridos. Os consumos mais baixos em percursos constantes e a maior autonomia continuam a ser argumentos válidos. No entanto, é importante considerar que em 2026 os motores a combustão estarão sujeitos a normas de emissões mais exigentes, nomeadamente a norma Euro 7, que poderá encarecer o preço final dos veículos novos com estas motorizações.
Custo total de utilização
Ao avaliar se faz sentido comprar um carro não híbrido em 2026, o mais relevante é olhar para o custo total de utilização. Isto inclui o preço de aquisição, os consumos, a manutenção, o IUC, o seguro e, potencialmente, o valor de revenda.
Os híbridos tendem a ter um preço de compra superior ao de um modelo equivalente a gasolina. No entanto, compensam em consumos, sobretudo em cidade, e em impostos, uma vez que muitos têm uma classificação de emissões mais favorável, refletindo-se num IUC mais baixo. Além disso, a maior procura pode traduzir-se numa desvalorização mais lenta no mercado de usados.
Por outro lado, um automóvel a gasolina de motorização simples pode continuar a ser mais económico na aquisição e mais adequado para condutores que percorrem poucos quilómetros anuais e circulam maioritariamente fora de centros urbanos. Nestas situações, o investimento adicional num sistema híbrido poderá não compensar face ao uso previsto.
Impacto das zonas de baixas emissões
Outro fator a considerar é a expansão das zonas de baixas emissões, que já estão em vigor em Lisboa e em preparação para outras cidades portuguesas. Estas zonas restringem ou penalizam o acesso a veículos com classificações ambientais mais baixas, ou seja, motores diesel e gasolina mais antigos ou com maiores emissões.
Em 2026, este tipo de políticas poderá tornar-se mais comum, e é provável que os carros não híbridos, especialmente os não eletrificados, passem a ter restrições de circulação ou custos acrescidos de estacionamento, acesso e portagens urbanas. Neste contexto, um híbrido pode representar uma escolha mais segura para o futuro.
Infraestrutura e hábitos de condução
Os híbridos convencionais não exigem alterações nos hábitos do condutor, pois não precisam de ser carregados. Já os plug-in híbridos, que permitem autonomia elétrica mais alargada, exigem uma tomada ou ponto de carregamento em casa ou na rua para tirar total partido da sua eficiência. No entanto, quem não tem acesso a um carregador pode beneficiar mais com um full hybrid ou até com um modelo a gasolina eficiente.
Se a maioria dos quilómetros for feita em percursos curtos e urbanos, um híbrido é claramente vantajoso. Se o padrão de condução incluir deslocações longas e regulares, e não houver preocupação com restrições ambientais, um carro a gasóleo bem escolhido pode continuar a ser uma opção razoável.
Evolução tecnológica e valorização futura
A velocidade com que a tecnologia automóvel tem evoluído pode tornar os carros exclusivamente a combustão tecnologicamente obsoletos mais rapidamente do que no passado. As marcas estão a apostar fortemente na eletrificação da gama, e muitos fabricantes já anunciaram datas para abandonar os motores a combustão em novos modelos, a partir de 2030.
Isto poderá afetar o valor residual de carros não híbridos nos próximos anos, à medida que os híbridos e elétricos ganham escala e os incentivos fiscais se mantêm ou aumentam. O risco de desvalorização acelerada é maior para modelos puramente térmicos, especialmente em segmentos urbanos e compactos.
E os carros usados?
No mercado de usados, o preço continua a ser um fator determinante. Em 2026, os modelos não híbridos usados continuarão a ser procurados, especialmente em gamas de entrada e por quem tem um orçamento mais limitado. No entanto, a tendência de valorização dos híbridos deve continuar, não só pela maior eficiência como também pela antecipação das restrições futuras que os veículos puramente térmicos poderão enfrentar.
Quem comprar um carro usado não híbrido em 2026 deverá considerar se o seu uso será urbano ou não, se há riscos de restrições locais e qual será o tempo de utilização previsto antes de nova troca.
Leia também: