23 janeiro 2026

Algoritmos no comando: Nissan acelera o desenvolvimento automóvel com IA

Nissan acelera o desenvolvimento automóvel com IA

Uma rede de parcerias com Sonatus, Monolith e Wayve, somada a uma nova plataforma em nuvem com a AWS, está a catapultar o gigante japonês para uma nova era.

Na corrida pelo carro do futuro, os circuitos de teste ou os bancos de ensaio estão cada vez mais a dividir o protagonismo com os servidores de dados e os algoritmos de aprendizagem automática.

A Nissan, como outros grandes construtores de automóveis, está a desencadear uma revolução silenciosa no seu processo de engenharia, colocando a Inteligência Artificial no centro de tudo: desde a descoberta de uma falha num protótipo até à navegação autónoma no trânsito caótico das cidades. O resultado? Tempos de desenvolvimento que caem de semanas para dias e uma aceleração sem precedentes na entrega de tecnologia de ponta ao cliente.

A revolução nos testes

O epicentro desta transformação é o Nissan Technical Centre Europe (NTCE), em Cranfield, no Reino Unido. Foi aqui que uma parceria com a empresa norte-americana de software Sonatus começou a produzir resultados que soam a ficção científica.

Segundo a marca, os engenheiros deixaram de depender exclusivamente da análise manual de terabytes de dados provenientes de sensores e unidades de controlo. Agora, contam com as ferramentas Sonatus Collector AI e Sonatus AI Technician, que atuam como um diagnóstico permanente e super-rápido. Este sistema vasculha automaticamente os dados em tempo real e históricos, identificando irregularidades, potenciais falhas e ineficiências operacionais antes que se tornem problemas críticos.

O impacto é quantificável e dramático: o tempo de investigação para resolver problemas complexos reduziu-se de duas semanas para apenas dois dias. Esta eficiência traduz-se numa menor dependência de veículos de teste físicos, acelerando ciclos e libertando recursos.

Mas a Sonatus não é a única aliada da Nissan nesta frente. Uma parceria estratégica com a empresa Monolith, estendida até 2027, está a usar IA para um propósito complementar: prever os resultados de testes físicos. Alimentados por mais de 90 anos de dados históricos da Nissan, os algoritmos da Monolith conseguem simular com precisão o desempenho de componentes, como as ligações do chassis, reduzindo a necessidade de protótipos. Num projeto-piloto, esta abordagem levou a uma redução de 17% nos testes físicos, com a perspetiva de cortar o tempo total de testes pela metade em projetos futuros.

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O cérebro artificial que aprende a conduzir

Enquanto a IA otimiza a criação do carro, a Nissan prepara-se para integrar um cérebro artificial ainda mais avançado dentro do veículo. O acordo definitivo com a startup britânica Wayve é um dos anúncios mais significativos no final de 2025 e marca um compromisso de produção em massa.

O objetivo é integrar o software Wayve AI Driver, uma IA corporificada (embodied AI) de ponta a ponta, na próxima geração do sistema de assistência ao condutor ProPILOT. A Nissan explica que esta tecnologia não segue simplesmente um guião programado; aprende com o ambiente, antecipa cenários e adapta-se, prometendo uma condução assistida suave e segura tanto em autoestradas como em ambientes urbanos complexos.

Em setembro de 2025, com um protótipo baseado no Ariya a navegar pelo ambiente desafiador do centro de Tóquio, a marca provou a competência do sistema, que conta com um conjunto de 11 câmaras, 5 radares e um sensor LiDAR de próxima geração. Estes combinados com o algoritmo da Wayve, oferecem uma perceção do ambiente sem precedentes.

O primeiro modelo de produção equipado com esta nova geração do ProPILOT chegará ao mercado japonês no ano fiscal de 2027.

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A plataforma de software na nuvem

Para suportar esta dupla revolução, nos processos e no produto, a Nissan está a construir a sua fundação digital. Em colaboração com a Amazon Web Services (AWS), a empresa desenvolveu a Nissan Scalable Open Software Platform.

Esta plataforma na nuvem é a espinha dorsal que permite aos mais de 5.000 desenvolvedores da Nissan em todo o mundo colaborarem sem fronteiras, acedendo às mesmas ferramentas e dados em tempo real. É esta infraestrutura que torna possível a integração ágil das ferramentas da Sonatus e da Monolith, e que vai acolher o desenvolvimento do sofisticado software da Wayve. Os benefícios já são visíveis: a Nissan conseguiu reduzir em 75% o tempo de execução de testes de software de veículos através desta plataforma.

David Moss, vice-presidente sénior de I&D da Nissan para a região AMIEO, sublinha a filosofia da marca: “O papel da IA é claro: atuar como uma ferramenta ao serviço dos nossos engenheiros, e não como um substituto direto”.

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