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Ao volante do Skoda Fabia Monte Carlo: o melhor dos segmento B?

Em tempos, o segmento B dominou as vendas no mercado português, mas com a ascensão dos SUV, os compactos foram perdendo relevância, e por consequência, também alguma emoção nas propostas apresentadas.

O Skoda Fabia, lançado pela primeira vez em 1999, sempre foi um modelo muito elogiado, embora fruto do sucesso de modelos como o Renault Clio, ou mais recentemente, o Peugeot 208, tenha sido relegado para um plano secundário.

Mas eis que em 2022 surge a nova geração do Fabia, agora com argumentos e ambições reforçadas e que em particular, nesta versão Monte Carlo, promete trazer a emoção dos rallys para o mundo dos compactos.

Os regulamentos técnicos e desportivos dos ralis obrigam os construtores participantes a terem uma versão desportiva na gama para fazer a ligação com a versão de competição utilizada nos ralis. Basta falar em modelos como o Lancia Delta Integrale, Subaru Impreza ou Ford Escort RS Cosworth para ilustrar o tema, mas o Skoda Fabia Monte Carlo, embora não sendo tão radical como estes, é uma excelente iniciativa para tirar maior proveito do investimento feito e do enorme sucesso na competição automóvel. 

O nome Monte Carlo é já uma “tradição” para a marca Checa desde 2011, designação que distingue as edições especiais de cunho desportivo e que ocupa o espaço deixado pelos mais “potentes” RS, invocando ainda o forte sucesso do Fabia no mundo dos ralis, que soma mais de 1700 provas vencidas, mais de 100 campeonatos nacionais conquistados, assim como 6 campeonatos do mundo de WRC2 ganhos. 

Por fora, os detalhes em preto são exclusivos, seja na grelha dianteira, nas capas dos espelhos, ou mesmo o nome da marca e do modelo na traseira. Para além disso, as jantes opcionais de 18’’ são exclusivas, o que em conjunto com o pequeno spoiler traseiro e para-choques mais desportivo que simula um difusor de ar atribuem uma imagem mais desportiva a este Fabia Monte Carlo.

No interior, os bancos com encosto integrado, inspirado nas bacquets, bem como os elementos em vermelho e acabamentos inspirados em fibra de carbono presentes em vários pontos do cockpit, ajudam a conferir a este modelo um verdadeiro espírito mais desportivo.

Interior

Skoda Fabia

A 4ª geração do Skoda Fabia dá continuidade à história de sucesso deste modelo, vinte e dois anos após a sua estreia. Baseado agora na plataforma modular MQB-A0 do Grupo Volkswagen, o Fabia tornou-se num dos carros mais espaçosos no seu segmento, assim como uma vasta panóplia de sistemas de segurança passiva e ativa características dos modelos de segmento B do grupo Volkswagen.

E apesar de ser agora baseado numa plataforma partilhada e de nesta versão Monte Carlo se apresentar com uma capa mais desportiva, este modelo não esquece o conceito “Simply Clever” da Skoda, e apresenta soluções práticas e úteis para o dia-a-dia sem comparação no mundo automóvel neste patamar de preço, como são tradição o espaço para o guarda-chuva na porta do condutor, ou o raspador de gelo na tampa de combustível. 

A capacidade bagageira aumentou também 50 litros face à geração anterior, passando agora para os 380 litros, não faltando por isso espaço neste pequeno Skoda. Com os bancos traseiros rebatidos, a capacidade sobe para 1190 litros.

Quanto aos materiais, são maioritariamente de toque rijo, mas contam com uma montagem sólida na sua maioria. E desde que circulemos em estradas bem pavimentadas, não são notáveis quaisquer ruídos parasitas

O sistema multimedia conta de série com um ecrã de 8’’ e possibilidade de contar com Apple CarPlay e Android Auto sem fios, mas a título opcional pode ser aumentado para um ecrã com 9,2’’ polegadas, com sistema navegação e melhores grafismos. 

A posição de condução é também bastante ergonómica, com o volante a permitir bons níveis de regulação, quer em profundidade, quer em altura. Nota apenas que, em viagens mais longas, a firmeza destas “baquets” possa causar alguma fadiga no corpo, sendo mais eficazes e apropriadas a curtas deslocações, preferencialmente em estradas mais sinuosas, onde cumprem na perfeição a tarefa de “abraçar” o nosso corpo.

Ao volante

Skoda Fabia

O Monte Carlo Edition não é uma versão desportiva – mecanicamente falando – do Fabia, mas quando equipada com o motor 1.5 TSI de 150cv, transforma-o quase num “hot hatch”.

O Skoda Fabia pode ser equipado com um motor 1.0 MPI, atmosférico, com apenas 80cv, um motor que não entrega muito em termos de emoção, e posteriormente, pode também desiludir nos consumos sempre que levado a andamentos a ritmos mais elevados, como por exemplo, auto-estrada.

A outra opção, também um motor 1.0, mas com turbo, bastante mais adequada, está disponível com dois níveis de potência: 95 ou 116cv.

Face à motorização 1.0 TSI, o 1.5 TSI é bastante superior em andamento. Para começar, na sua arquitetura “ganha” um cilindro, passando a ter quatro, mas que pode funcionar com menos um do que a versão “mil”, graças à desativação de dois cilindros a velocidades reduzidas de cruzeiro.

E esse fator permite obter consumos muito ponderados, semelhantes aos do 1.0 TSI no dia-a-dia, ou seja os 5 a 6L por cada 100km, mas por exemplo, em auto-estrada, conseguindo consumos melhores que os desta versão, porque pelas suas características, estes motores mais subdimensionados e tricilíndricos, a ritmos mais elevados, tornam-se algo “gastadores”. 

A aceleração dos 0 aos 100 km/h desta versão é cumprida em 8 segundos, quase 2 segundos menos que a versão 1.0 TSI de 116cv, e a velocidade máxima supera os 220km/h, um valor muito respeitável para um segmento B.

A diferença de valores entre as duas versões ronda os 4800€, parte dedicados à adição de uma rapidíssima caixa automática DSG de dupla embraiagem, e em outra parte, dedicados à forte incidência dos impostos sobre cilindrada e emissões dos automóveis em Portugal.

Quanto às competência dinâmicas, o chassis e a suspensão do Skoda Fabia permite-lhe tolerar ritmos muito rápidos em estradas sinuosas, apresentando sempre comportamentos previsíveis e a dominar muito a transferência de massas entre curvas. E neste capítulo, claro que muito ajudam os cerca 1300kg de peso de marcha do Fabia.

No entanto, sinto que embora a direção esteja muito bem calibrada para condução citadina, poderia ser ligeiramente mais precisa quando o ritmo aumenta, algo que poderia ser facilmente regulado eletronicamente caso existissem diferentes modos de condução, algo que no Skoda, não existem.

É um carro simples, uma proposta muito honesta, mas que mostra estar sempre pronto para todas as situações. E face à nítida melhoria de performance, sem prejuízo dos consumos, para carteiras mais folgadas, a opção pela motorização 1.5 pode fazer todo o sentido.

Preços

Os preços do Fabia começam nos 19.981€ para a versão TSI com 95cv, cerca de 1000€ mais do que a versão atmosférica, e escalam até aos 26.044€ para a versão Monte Carlo equipada com o motor tricilindrico.

A esses 26.044€, somamos os cerca de 4800€, e os 30.917€ são o valor desta versão Monte Carlo com 150cv, antes de adicionarmos os equipamentos opcionais.

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