14 agosto 2025

Único e irrepetível: Bugatti Brouillard inspira-se num cavalo de Ettore

Novo Bugatti Solitaire Brouillard

A história da Bugatti sempre galopou a dois ritmos: mecânica de excelência e paixão artística. Ettore Bugatti, génio automóvel, nutria uma devoção especial pelo seu puro-sangue Brouillard – um cavalo branco capaz de abrir sozinho o estábulo graças a um mecanismo criado pelo fundador da marca de supercarros, e que personificava a velocidade, a beleza e graça que Ettore admirava. Hoje, essa ligação materializa-se no coupé Brouillard, a primeira criação do Programa Solitaire, o mais exclusivo à disposição de colecionadores.

Mistral foi o ponto de partida

Mais que um nome poético (nevoeiro em francês, alusivo ao manto prateado do cavalo), o Brouillard parte da base técnica do roadster Mistral, mas introduz alterações radicais: incorpora um teto de vidro fixo (substituto da capota têxtil escamoteável), alonga o capot dianteiro em 12 cm e redesenha as asas traseiras, sem arestas agressivas e com formas arredondada a lembrar a musculatura de um cavalo.

A própria escolha cromática combina função e legado: a zona inferior negra (cerca de 30% da altura total) reduz visualmente o volume, enquanto o verde-prateado dominante alonga a silhueta, criando a ilusão de um perfil mais baixo e ágil que os modelos de série. Uma abordagem que ecoa as proporções do lendário Type 57 SC Atlantic dos anos 1930, mas executada com ferramentas aerodinâmicas do século XXI.

O spoiler traseiro fixo em formato de cauda de pato foi pensado para garantir estabilidade sem beliscar a elegância do conjunto, enquanto um pequeno difusor aproveita está projetado para aproveitar ao máximo o espaço graças a uma integração inovadora do sistema de escape com saídas verticais duplas. Segundo a marca, o trabalho aerodinâmico ainda inclui um sistema de fluxo de ar que aumenta o arrefecimento do radiador e mantém o equilíbrio do veículo mesmo em velocidades extremas.

O Brouillard também partilha com o Mistral o monumental motor W16 de 8 litros, capaz de debitar 1600 cv às 7.050 rpm e 1.600 Nm entre as 2.250 e as 7.000 rpm, transmitindo potência às quatro rodas através de uma caixa de sete velocidades de dupla embraiagem. E, embora a Bugatti não confirme o desempenho, espera-se também que o iguale ou ultrapasse em prestações: 420 km/h de velocidade máxima; 0-100 km/h em 2,4 segundos e 0-200 km/h em 5,6 segundos!

Interior de alta costura

A homenagem ao cavalo amado de Ettore materializa-se em detalhes tangíveis: motivos equestres bordados nas portas e bancos, e uma miniatura tridimensional do animal encapsulada em vidro na alavanca de mudanças – peça em alumínio maciço.

A seleção de materiais estabelece um novo padrão para a marca, com fibra de carbono em tonalidade verde (estreia absoluta), pele de alto grau com padrão exclusivo e alumínio em componentes críticos. Este conjunto supera em artesanato os interiores do Chiron Super Sport ou La Voiture Noire, incorporando inovações como o referido teto de vidro – inexistente no modelo Mistral que lhe deu origem.

O mais exclusivo e caro de sempre?

O Brouillard estreia o Programa Solitaire, departamento ultraexclusivo que eleva a personalização além dos limites do Sur Mesure. Limitado a apenas dois exemplares anuais, resgata a tradição de coachbuilding que Jean Bugatti consagrou nos anos 1930. Quanto ao preço? Fontes do setor estimam um valor próximo dos 10 milhões de euros – praticamente o dobro do Mistral (5 milhões de euros) e ainda mais caro que o Bugatti Centodieci de Cristiano Ronaldo –, cifra justificada pela natureza de obra-prima irrepetível. Não haverá outro igual.

Dois “solitários” por ano

A Bugatti elevou a arte da personalização automóvel ao seu expoente máximo com o lançamento do Programa Solitaire, uma iniciativa de edição ultrarrestrita dedicada à criação de veículos únicos e sob medida.

Focando-se inteiramente na excelência do trabalho artesanal e na personalização extrema - tanto nos acabamentos exteriores como nos interiores -, o programa limitar-se-á à produção de apenas dois automóveis por ano. Estes exemplares únicos e irrepetíveis, como o Brouillard, o primeiro modelo do programa, vão partilhar a plataforma técnica e os potentes motores dos modelos atuais da Bugatti.

A estratégia do Solitaire consiste assim em concentrar recursos na transformação artística e na exclusividade absoluta de cada carro, partindo de uma base mecânica já estabelecida, para atingir novos patamares de desejo e valor, comercializando estas obras-primas a preços inigualáveis.

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