14 março 2026

Quem compra carro elétrico já não volta aos combustão, conclui estudo

Carros elétricos ganham cada vez mais adeptos

Uma investigação recente da conceituada consultora JD Power vem revelar que depois de se fazer à estrada num veículo elétrico, é quase impossível voltar atrás.

De acordo com o estudo que inquiriu 5.741 proprietários de modelos de 2025 e 2026, a esmagadora maioria dos condutores que já adotaram esta tecnologia (96%) não manifesta qualquer intenção de regressar aos motores de combustão interna, mesmo perante a eventual redução de incentivos governamentais.

O fenómeno da satisfação em massa

Os dados são inequívocos e apontam para um nível de contentamento historicamente elevado entre os proprietários de veículos elétricos. A satisfação não se fica apenas pela evidente poupança nos custos de energia, que por si só já é um fator de peso. As melhorias tecnológicas nas baterias têm sido notórias, dissipando muitas das desconfianças iniciais. A autonomia real, outrora uma dor de cabeça, aproxima-se cada vez mais dos valores anunciados, permitindo que os condutores planeiem as suas viagens com tranquilidade, sem depender de cálculos mirabolantes.

Acresce a isto uma experiência de condução que rapidamente se torna um vício. A suavidade do funcionamento, a ausência de ruído e vibrações mecânicas e a resposta imediata do motor ao mais leve toque no acelerador criam uma dinâmica tão superior que faz com que qualquer retrocesso para um veículo a gasolina ou gasóleo pareça um passo atrás na evolução automóvel.

Carregamento já não são obstáculo

Um dos grandes trunfos para este aumento da satisfação prende-se com a evolução da infraestrutura de carregamento. Embora a maioria dos utilizadores continue a privilegiar o carregamento noturno em casa, a expansão da rede pública tem sido determinante. A multiplicação de pontos de carga e a simplificação dos processos de acesso e pagamento transformaram o que antes era uma fonte de stress numa tarefa rotineira.

Como resultado, a tão falada "ansiedade de autonomia" tem vindo a desaparecer do léxico dos condutores elétricos. A confiança na possibilidade de viajar sem contratempos é agora uma realidade, substituindo o medo pela certeza de que há sempre um local para recarregar as baterias ao longo do percurso.

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O bolso também agradece

Para além das questões ambientais e da experiência de condução, o argumento financeiro continua a pesar na balança. A manutenção de um veículo elétrico é significativamente mais simples e económica, dispensando a troca de óleos, filtros e outros consumíveis típicos dos motores de combustão. O menor número de componentes sujeitos a desgaste mecânico reduz a probabilidade de avarias e o custo por quilómetro percorrido é francamente mais competitivo.

O estudo, denominado EVX Ownership, revela ainda que este sentimento é transversal a todos os segmentos de mercado. Numa escala de avaliação até mil pontos, os modelos elétricos de luxo atingiram pontuações impressionantes, enquanto as versões mais acessíveis também registaram uma evolução notável na perceção dos seus condutores. Em todas as categorias, os veículos 100% elétricos destacam-se claramente face aos modelos híbridos plug-in.

Claro que todos os estudos devem ser interpretados com a devida cautela, mas a tendência aqui revelada é demasiado forte para ser ignorada: a mobilidade elétrica veio para ficar e, para quem a experimenta, não há mesmo volta a dar.

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O carro elétrico em Portugal e no mundo

As vendas de carros elétricos em 2026 em Portugal continuam a crescer, com um aumento superior a 50% em janeiro face ao ano anterior, representando cerca de 22% do mercado de novos.

Em sentido contrário, o mercado global de veículos elétricos registou, em janeiro de 2026, a primeira contração homóloga da sua história recente. De acordo com dados da consultora Benchmark Mineral Intelligence (BMI), as vendas caíram 3% face ao mesmo mês de 2025, num total de cerca de 1,2 milhões de unidades vendidas.

O principal responsável por este arranque de ano frio é o mercado chinês, o maior do mundo para veículos elétricos. Em janeiro, a China registou uma quebra de 20% nas vendas em termos homólogos, fixando-se em menos de 600 mil unidades, o valor mais baixo dos últimos dois anos. Esta travagem abrupta deve-se, sobretudo, a alterações na política de incentivos do país: o fim da isenção total do imposto de compra, que estava em vigor desde 2014, e a redução dos subsídios para abate de veículos antigos.

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