8 abril 2026

MG acelera na inovação: o que revela o futuro das baterias elétricas

A evolução dos carros elétricos está cada vez mais dependente de um fator-chave: a tecnologia das baterias. Mais do que aumentar autonomias, o desafio passa por melhorar tempos de carregamento, eficiência, durabilidade e segurança. Tudo isto sem comprometer custos.

Nos últimos anos, a indústria tem avançado a um ritmo consistente, mas é agora que começam a surgir sinais claros de uma nova fase. Entre soluções intermédias e tecnologias ainda em desenvolvimento, o futuro das baterias elétricas começa a ganhar forma.

MG Tech Day: onde a próxima geração de baterias começou a ganhar forma

Na edição de 2026 do MG Tech Day, realizado novamente em Frankfurt, e onde o Diário Automóvel marcou presença, celebrou-se um momento relevante na estratégia da marca, assinalando a inauguração do novo Centro de Engenharia Europeu, na Alemanha, e reforçando a ambição de desenvolver tecnologia “na Europa, para a Europa”.

Esta abordagem traduz-se num foco claro: adaptar soluções às necessidades concretas dos condutores europeus, desde as condições climatéricas até aos padrões de utilização e infraestruturas de carregamento.

Ainda assim, foi no campo das baterias que se destacaram os sinais mais evidentes de transformação. Mais do que evoluções incrementais, o que foi apresentado aponta para uma nova fase no desenvolvimento da mobilidade elétrica, com impacto direto na eficiência, performance e experiência de utilização dos veículos elétricos.

Mais do que química: a importância da estrutura das baterias

Durante muito tempo, o debate sobre baterias centrou-se quase exclusivamente na química, e em particular em duas composições: LFP e NCM. No entanto, uma das principais mensagens passadas neste fórum foi clara: a próxima grande evolução pode não estar apenas nos materiais, mas na arquitetura interna das baterias.

Nas soluções atuais, o movimento dos iões de lítio acontece sobretudo em uma ou duas dimensões. Esta limitação estrutural condiciona a velocidade de carregamento e a eficiência energética.

As novas abordagens passam por estruturas tridimensionais, que vão permitir:

  • Maior liberdade de circulação dos iões;
  • Redução de perdas energéticas (mais eficiência);
  • Melhoria significativa na performance.

O impacto destas alterações será direto na utilização diária, permitindo desde logo carregamentos mais rápidos, maior consistência de desempenho e melhor aproveitamento da energia disponível.

Semi-solid state: o passo intermédio que já está a ganhar terreno

Um dos maiores destaques foi a SolidCore Battery, a bateria semissólida da MG, que representa uma evolução concreta face às tecnologias atuais.

Este tipo de bateria combina eletrólitos líquidos e sólidos, mas com uma forte predominância destes últimos — cerca de 95% no caso apresentado. O resultado é uma solução que consegue equilibrar inovação com viabilidade industrial.

Entre os principais benefícios destacam-se uma maior estabilidade térmica e química, o que contribui para um funcionamento mais seguro e consistente. A isto junta-se um melhor desempenho em temperaturas mais baixas, um fator particularmente relevante em mercados europeus, onde o frio pode impactar significativamente a eficiência das baterias.

Ao mesmo tempo, esta tecnologia permite reduzir os tempos de carregamento e garantir uma resposta de potência mais imediata, traduzindo-se numa experiência de condução mais ágil e previsível.

Outro ponto relevante é o facto de esta tecnologia já estar em fase de produção em massa, o que a coloca como uma solução real e não apenas conceptual. A sua chegada aos modelos elétricos na Europa está prevista a partir do final de 2026.

Solid-state: a tecnologia que promete mudar tudo

Se as baterias semissólidas representam o presente evolutivo, as baterias totalmente sólidas continuam a ser o grande objetivo da indústria. Ao substituir completamente o eletrólito líquido por um sólido, estas baterias prometem resolver várias limitações atuais de forma simultânea.

Os ganhos potenciais incluem:

  • Autonomias superiores a 1.000 km;
  • Aumento significativo da densidade energética;
  • Maior segurança, com menor risco de incêndio ou degradação;
  • Redução de peso que pode chegar aos 50% (ou seja, mais performance e melhor handling).

Apesar do potencial, a produção em larga escala continua a ser um desafio técnico e económico. Ainda assim, os avanços apresentados indicam que esta tecnologia poderá começar a ganhar relevância antes do final da década.

O futuro constrói-se em várias camadas

No fundo, a evolução das baterias não vai acontecer de um dia para o outro com uma única tecnologia revolucionária. O mais provável é vermos várias soluções a surgir e a evoluir ao mesmo tempo.

As baterias semissólidas já representam um avanço concreto no curto prazo. As solid-state continuam a ser o grande objetivo a médio prazo. E, pelo meio, vão surgindo melhorias que, mesmo sendo menos visíveis, já começam a fazer diferença na forma como os elétricos se comportam no dia a dia.


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