17 outubro 2025

Ibis: a bateria inteligente da Stellantis que promete mais autonomia, potência e eficiência

Stellantis IBIS Vehicle Battery

A Stellantis está a testar em estrada a primeira bateria inteligente integrada IBIS (Intelligent Battery Integrated System), que poderá transformar a arquitetura dos veículos elétricos.

Esta inovação permite eliminar o inversor e o carregador tradicional, integrando essas funções diretamente na própria bateria. Com isso, reduz-se o peso e o espaço ocupado no veículo, melhora-se a eficiência e acelera-se o carregamento. O primeiro protótipo com esta tecnologia é um Peugeot E-3008 de nova geração, construído sobre a plataforma STLA Medium.

O projeto resulta de uma colaboração entre a Stellantis e a Saft, subsidiária da TotalEnergies, em conjunto com várias instituições científicas francesas como o CNRS e a Université Paris-Saclay.

Quais os ganhos reais desta tecnologia?

Segundo a Stellantis, os primeiros testes apontam para ganhos muito concretos face a uma bateria convencional:

  • Mais autonomia: até 10% de autonomia adicional com a mesma capacidade de bateria, sobretudo em ciclos urbanos (WLTC).
  • Mais potência: a integração permite aumentar a potência do motor elétrico em cerca de 15%. O protótipo atinge 172 kW, face aos 150 kW da versão equivalente com arquitetura tradicional.
  • Menos tempo de carregamento: o tempo de carga num carregador de 7 kW foi reduzido de 7 para 6 horas, graças à eficiência energética melhorada.
  • Redução de peso: a eliminação do carregador e do inversor permite reduzir o peso em cerca de 40 kg.
  • Mais espaço no veículo: a remoção desses componentes liberta 17 litros de volume, o que pode ser usado para aerodinâmica ou conforto.

Além destes ganhos diretos, a arquitetura IBIS permite simplificar a manutenção e prolongar a vida útil da bateria, graças a módulos de células substituíveis individualmente.

Benefícios para o utilizador e para a indústria

A tecnologia IBIS também poderá beneficiar o pós-venda e a segunda vida das baterias. Ao facilitar o acesso e a substituição de módulos defeituosos ou envelhecidos, torna?se possível dar uma nova vida à bateria, seja no mesmo veículo ou em aplicações estacionárias (como armazenamento de energia doméstico ou industrial).

Outro benefício prende-se com a segurança: ao eliminar pontos de alta tensão durante a montagem e manutenção, o sistema IBIS aumenta a segurança para técnicos e operadores na linha de produção.

Em termos de compatibilidade, a bateria IBIS funciona com carregadores de corrente alternada (CA) e contínua (CC), com suporte para tensões até 1200 V. Isto significa que poderá ser usada em diferentes plataformas, incluindo automóveis, veículos industriais, comboios ou até aplicações aeronáuticas.

Uma colaboração científica com base em investigação francesa

O projeto IBIS nasceu há seis anos e é coordenado pela Stellantis, com a participação de uma equipa multidisciplinar de 25 engenheiros e investigadores. A Saft, a E2CAD, a Sherpa Engineering e centros como o GeePs (CNRS/CentraleSupélec) ou o LEPMI (Grenoble INP) estão entre os parceiros.

Este consórcio tem o apoio do programa France 2030, gerido pela ADEME (Agência de Gestão Ambiental e Energética de França), o que reforça o estatuto estratégico do projeto na transição energética europeia.

Em 2022, foi testado um primeiro demonstrador em contexto estacionário. Agora, o projeto avança para os testes em estrada com veículos reais, o que poderá preparar o caminho para integração em modelos de produção até ao final da década.

O que esperar a seguir?

O IBIS poderá representar uma das maiores evoluções tecnológicas na mobilidade elétrica desde a introdução das baterias de iões de lítio. A possibilidade de simplificar toda a cadeia elétrica, eliminando componentes externos e reduzindo a complexidade, é vista como um passo fundamental para tornar os veículos elétricos mais leves, mais baratos e mais fáceis de manter.

A Stellantis pretende continuar os testes ao longo de 2026 e 2027, com a perspetiva de integrar a tecnologia em várias marcas do grupo, incluindo Peugeot, Citroën, Opel ou Fiat. Não foi ainda anunciado um calendário oficial de produção, mas a marca aponta para a segunda metade da década.

Impacto para o consumidor

Para o utilizador final, a promessa é clara: maior autonomia, menos tempo de carregamento, menos custos de manutenção e um menor custo total de propriedade. Esta abordagem poderá tornar os veículos elétricos mais acessíveis e atrativos, ajudando a acelerar a transição energética em toda a Europa.

Embora ainda em fase de testes, a tecnologia IBIS demonstra como a inovação estrutural, e não apenas química, pode fazer a diferença na próxima geração de veículos elétricos.

Leia também: