Ferrari Elettrica: eis o primeiro elétrico a exibir o Cavallino Rampante

Potência a rodos e muita tecnologia. O primeiro elétrico da Ferrari, apresentado com o nome provisório de Elettrica, que será apresentado na íntegra em 2026, representa não apenas uma revolução tecnológica para a marca de Maranello, mas também simboliza uma nova era estratégica, em linha com os grandes objetivos de sustentabilidade e eletrificação da indústria automóvel de luxo.
Engenharia e potência
No coração do Ferrari Elettrica, há quatro motores elétricos, dois no eixo dianteiro e dois traseiros, concebidos e desenvolvidos integralmente pela equipa técnica da Ferrari. Estes garantem uma potência combinada superior a 1.000 cv (830 kW em modo boost), permitindo-lhe cumprir o sprint dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos e atingir uma velocidade máxima de 310 km/h.
O sistema de propulsão inspira-se diretamente nas experiências acumuladas pela Ferrari na Fórmula 1, conseguindo níveis de eficiência, segundo a marca, superiores a 93%. As motorizações, compactas e montadas em caixas de alumínio ultraleve, atingem rotações até 30.000 rpm na frente e 25.500 rpm atrás, assegurando acelerações vigorosas e recuperação energética constante.
Tecnologia de ponta
A bateria de 122 kWh, igualmente desenvolvida em Maranello, utiliza células fornecidas pela sul-coreana SK, agrupadas num conjunto que privilegia a segurança e a dinâmica. Com uma arquitetura de 880 Volts, garante recargas rápidas a 350 kW e mais de 530 km de autonomia.
A distribuição de massas do Elettrica foi otimizada, com cerca de 85% do peso das baterias concentrados sob o piso, obtendo um centro de gravidade reduzido e proporções ideais (47% à frente, 53% atrás).
ADN Ferrari
O Elettrica recebe uma suspensão ativa de última geração, com sensores capazes de ler o estado do piso em milissegundos, ajustando o amortecimento em tempo real. Cada roda é controlada de forma independente, combinando tração, direção e suspensão ativa para um equilíbrio perfeito entre conforto e desempenho.
É possível alternar o sistema de tração entre traseira e integral em meio segundo, realçando a precisão dinâmica e a eficiência energética, adaptando o comportamento do carro às diferentes condições e estilos de condução. O sistema de vetorização de binário permite uma agilidade inédita para um veículo de 2,3 toneladas.
Design, um segredo mal guardado
Apesar da Ferrari ainda não ter divulgado imagens oficiais, os protótipos avistados em testes exibem proporções de berlina desportiva, ligeiramente mais baixa e alongada.
O design está a ser desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive e Marc Newson — nomes famosos pelo trabalho na Apple e referências mundiais no design industrial. Esta colaboração visa, diz a Ferrari, alinhar o estilo e a experiência digital do novo modelo com as exigências estéticas do público premium, enquanto o design final permanece cuidadosamente guardado até à apresentação oficial.
Produção em Maranello
O Elettrica será produzido num edifício inteiramente novo e dedicado, o E Building, no complexo histórico de Maranello. Esta unidade recebe investimentos significativos e será a base operacional não só do elétrico, mas de toda a nova geração de veículos eletrificados da Ferrari.
A marca italiana pretende fabricar o Elettrica em volumes relativamente elevados para os padrões de Maranello, aproximando-se das duas mil unidades por ano, sinalizando um compromisso com a transição energética sem sacrificar a exclusividade.
Luxo e preço esperado
Sem surpresas, o preço do Ferrari Elettrica deverá posicionar-se, antes de impostos, entre 250.000 e 450.000 dólares, ou até acima do meio milhão de euros conforme diferentes estimativas. Trata-se de um valor condizente com a exclusividade, a sofisticação técnica e o papel inovador deste modelo na história da marca. A Ferrari, segundo o CEO Benedetto Vigna, continuará a apostar também em motores térmicos e híbridos até 2030, mas lança com o Elettrica uma nova referência de eletrificação de alta performance.