Dacia Bigster é o Carro do Ano do mercado nacional

Uma estreia absoluta entre os vencedores do Volante de Cristal: é a primeira vez que a marca romena conquista o pódio.
O Bigster representa um compromisso interessante por parte da Dacia. Se é certo que manteve as premissas racionais que permitem ao emblema romeno de baixo custo do Grupo Renault apresentar produtos a preços comedidos, conseguiu dar um salto expressivo na qualidade percecionada.
O Dacia Bigster posiciona-se no segmento dos familiares, apostando na versatilidade, no espaço desafogado a bordo e na sua gama integra mecânicas poupadas. Resultado: conquistou a maioria dos votos do júri do Seguro Directo Carro do Ano – Volante de Cristal, prémio organizado pelo Grupo Impresa, e, além de ter conquistado a honra maior, ainda vingou na classe dos SUV compactos, com a variante Hybrid-G 150 4x4, tendo ainda amealhado o prémio tecnologia e inovação.
A edição deste ano, que recebeu 92 inscrições, em oito categorias (Citadino, Design, Desportivo/Lazer, Elétrico, Familiar, Híbrido Plug-in, SUV Compacto (inclui crossovers) e Grande SUV), teve um total de 28 modelos a concorrer ao prémio de Carro do Ano. Os outros finalistas eram Citroën C5 Aircross, Fiat Grande Panda, Kia EV4, Renault 4 E-Tech, Skoda Elroq e Volkswagen T-Roc.
O anúncio dos prémios foi feito nesta terça-feira à noite, ao longo da qual houve mais vencedores. O Fiat Grande Panda, na versão La Prima, recebeu o galardão de Citadino do Ano; o Mazda 6e 5HB 245cv Long Range, com equipamento Takumi Plus, foi distinguido como Elétrico do Ano; o Citroën ë-C5 Aircross Max brilhou como Familiar do Ano; o Leapmotor C10 REEV conquistou o prémio Híbrido Plug-in do Ano; e o Grande SUV do Ano é o Xpeng G9 Performance. No capítulo dos mais bonitos, o exclusivo Alfa Romeo 33 Stradale tomou o prémio Design do Ano e o Alpine A290 GTS foi considerado Desportivo / Lazer do Ano.
A noite serviu ainda para homenagear Teresa Lameiras, a quem foi atribuído o Prémio Carreira pelo seu percurso no Marketing e na Comunicação ligado ao setor automóvel: primeiro, na Seat Portugal; depois, no grupo SIVA/PHS.
O prémio Seguro Directo Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal, que se realiza desde 1985, contou, nesta edição, com avaliações de um painel de 15 jurados em representação dos respectivos órgãos de comunicação.
Palmarés - Carro do Ano em Portugal nos últimos 10 anos
- 2026 - Dacia Bigster
- 2025 - Citroën C3
- 2024 - BYD Seal
- 2023 - Renault Austral
- 2022 - Peugeot 308
- 2021 - Seat Leon
- 2020 - Toyota Corolla
- 2019 - Peugeot 508
- 2018 - Seat Ibiza
- 2017 - Peugeot 3008
- 2016 - Opel Astra
O que distingue o Bigster num mercado cada vez mais competitivo
A vitória do Dacia Bigster surge num contexto em que o mercado automóvel europeu atravessa uma fase de forte transformação, marcada pela eletrificação, pelo aumento dos preços dos veículos novos e pela crescente procura por modelos familiares com maior versatilidade. Neste cenário, propostas equilibradas continuam a ter grande aceitação, sobretudo em países como Portugal, onde o custo de aquisição continua a ser um fator determinante na decisão de compra.
Dados da Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA) mostram que os SUV representam atualmente a maior fatia das vendas na Europa, ultrapassando metade dos automóveis matriculados nos últimos anos. A preferência por este tipo de carroçaria explica o destaque alcançado por modelos que combinam espaço, posição de condução elevada e custos de utilização relativamente controlados.
O Bigster enquadra-se precisamente nesta tendência, ao posicionar-se como um SUV familiar com dimensões generosas, mas mantendo uma filosofia de simplicidade e racionalidade que tem sido uma das imagens de marca da Dacia desde a sua integração no Grupo Renault.
Evolução da Dacia reforça qualidade percebida
Nos últimos lançamentos, a Dacia tem apostado numa melhoria gradual da qualidade de construção, do design e do equipamento tecnológico, procurando responder às exigências de um público que já não aceita compromissos tão evidentes como no passado.
O Bigster simboliza esse salto, ao apresentar soluções mais sofisticadas ao nível dos sistemas de assistência à condução, conectividade e eficiência energética, mantendo ao mesmo tempo uma estratégia de contenção de custos que continua a ser um dos principais argumentos da marca.
Esta evolução acompanha a tendência observada no mercado europeu, onde mesmo os modelos de entrada passaram a integrar tecnologias que até há poucos anos estavam reservadas a segmentos superiores, como sistemas híbridos, ecrãs digitais mais completos e ajudas à condução mais avançadas.
Um prémio que acompanha a história do automóvel em Portugal
O Troféu Volante de Cristal tem refletido, ao longo de mais de quatro décadas, as mudanças nas preferências dos condutores portugueses. Se nos anos 80 e 90 dominavam as berlinas familiares e os compactos, nas últimas edições tem sido evidente o crescimento dos SUV e dos modelos eletrificados.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o parque automóvel nacional continua a ter uma idade média elevada, o que faz com que muitos compradores procurem automóveis versáteis, eficientes e capazes de responder a diferentes utilizações, desde o uso familiar ao quotidiano profissional.
Nesse contexto, não surpreende que o júri tenha valorizado uma proposta como o Bigster, que aposta no espaço, na funcionalidade e na eficiência, sem se posicionar num nível de preço demasiado elevado.
Tendência para propostas equilibradas deverá manter-se
A edição de 2026 do Carro do Ano confirma uma tendência que tem sido recorrente nos últimos anos: os modelos vencedores são, na maioria dos casos, automóveis que conseguem conciliar tecnologia, eficiência e preço competitivo, em vez de propostas exclusivamente focadas no desempenho ou no luxo.
Com a eletrificação a avançar de forma gradual e com o custo dos automóveis novos a aumentar, é expectável que modelos com posicionamento racional continuem a ter forte presença entre os finalistas nas próximas edições do prémio.
A distinção do Dacia Bigster acaba por refletir precisamente esse momento do setor automóvel, em que a versatilidade e a relação entre preço e conteúdo continuam a ser determinantes para muitos condutores portugueses.