26 novembro 2025

Da eletrónica para os carros: Xiaomi já produziu meio milhão de automóveis

Frota de carros elétricos Xiaomi

A Xiaomi, gigante tecnológica chinesa, que saltou dos telemóveis para os carros elétricos, acaba de celebrar a produção da sua unidade número 500.000, um feito alcançado em apenas 602 dias após o lançamento do seu primeiro veículo.

O marco impressionante da unidade 500 mil foi anunciado pela Xiaomi na rede social Weibo e demonstra uma capacidade de execução industrial que está a surpreender o mercado global. A marca comemorativa foi um exemplar do YU7, o SUV elétrico compacto que se tornou o segundo modelo da marca e que já regista uma procura excecional no mercado chinês, posicionando-se como um rival direto do popular Tesla Model Y.

Sucesso consolidado

O rápido sucesso da Xiaomi começou com o sedan SU7, lançado em 28 de março de 2024, e consolidou-se com a introdução do YU7 no final de junho de 2025.

A velocidade desta conquista é um testemunho da ambição da empresa. De acordo com Lu Weibing, presidente do Grupo Xiaomi, a divisão automóvel da empresa espera atingir a sua meta anual de 350 mil entregas antes de dezembro, um número que coincide com a sua atual capacidade de produção instalada.

Contudo, apesar do sucesso imediato, a estratégia internacional da Xiaomi é paciente e meticulosa. A empresa tem reiterado que a sua expansão para fora da China, com veículos 100% elétricos, só deverá ocorrer a partir de 2027. O CEO Lei Jun justificou esta decisão afirmando que a prioridade imediata é consolidar a posição no mercado doméstico, satisfazendo a robusta carteira de pedidos acumulada para os modelos SU7 e YU7.

Esta transição bem-sucedida da Xiaomi, de gigante da eletrónica a fabricante automóvel de alto volume em tempo recorde, envia uma mensagem clara ao setor: a convergência entre tecnologia e mobilidade traz novos protagonistas e desafios.

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O segredo mais bem guardado da Xiaomi: três Tesla na garagem

O CEO da Xiaomi, Lei Jun, revelou um dos segredos mais comentados nos corredores da indústria: a estratégia de engenharia reversa que está por trás do sucesso meteórico dos seus carros elétricos.

“Comprámos três Tesla Model Y no início deste ano, desmontámos as peças uma a uma e estudámos cada componente individualmente”, confessou o líder da gigante tecnológica, numa admissão que legitima o que muitos já suspeitavam. A revelação, feita numa entrevista, mostra o pragmatismo brutal por trás do desenvolvimento do sedan SU7 e do SUV YU7.

Mas o mais surpreendente não foi a confissão, comum na indústria automóvel, mas a forma humilde como Lei Jun reconheceu o valor da concorrência. “Se não escolherem o YU7, podem considerar o Model Y. Não estou a criticar o Model Y”, afirmou, acrescentando com um elogio raro entre concorrentes diretos: “O Model Y é um carro muito, muito notável.”

Esta abordagem revela uma filosofia de negócio inteligente: em vez de tentar reinventar a roda, a Xiaomi estudou a melhor roda disponível no mercado para depois criar a sua própria versão. A estratégia permitiu à empresa saltar anos de desenvolvimento, posicionando-se como uma séria concorrente num período que muitos considerariam impossível.

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