15 julho 2025

Como a inteligência artificial está a mudar a indústria automóvel

industria automóvel

A inteligência artificial está a transformar a forma como nos movemos, como conduzimos e até como os carros são fabricados. Longe de ser apenas um conceito futurista, a IA já está integrada em múltiplos aspetos da indústria automóvel, com impacto real e crescente no mercado português. Desde sistemas avançados de assistência à condução até fábricas inteligentes e algoritmos que preveem falhas mecânicas, a inteligência artificial está a moldar o futuro do setor automóvel.

Neste artigo analisamos como esta tecnologia está a ser aplicada nas várias etapas da cadeia automóvel, quais os benefícios que traz para os consumidores e para os fabricantes, e que mudanças se perspetivam nos próximos anos.

A IA dentro do automóvel: da assistência à autonomia

Uma das utilizações mais visíveis da inteligência artificial é no desenvolvimento de sistemas de assistência à condução. Tecnologias como o cruise control adaptativo, a travagem automática de emergência, a manutenção na faixa de rodagem ou o reconhecimento de sinais de trânsito são já comuns em muitos modelos disponíveis no mercado português.

Estes sistemas fazem parte do que se designa por níveis de condução autónoma, definidos pela Society of Automotive Engineers (SAE), que vão do nível 0 (sem automação) ao nível 5 (condução totalmente autónoma). Em 2025, a maioria dos carros com tecnologia avançada opera entre os níveis 1 e 2, com alguns modelos premium a introduzirem funções de nível 3 em condições controladas.

Marcas como a Tesla, a Mercedes-Benz e a BMW lideram no desenvolvimento de funcionalidades semiautónomas, embora a legislação em países como Portugal ainda não permita uma utilização plena da condução autónoma em vias públicas. Ainda assim, o avanço da IA é visível e prepara o terreno para um futuro em que os condutores poderão delegar completamente o controlo do veículo.

Produção automóvel inteligente

A IA não está apenas presente nos veículos. Também nas fábricas automóveis, especialmente nas linhas de montagem, a inteligência artificial tem um papel cada vez mais importante. Através de algoritmos de machine learning e sensores interligados, os fabricantes conseguem otimizar a produção, prever falhas e reduzir desperdícios.

A Volkswagen, por exemplo, utiliza IA para monitorizar em tempo real o desempenho dos robôs industriais nas suas fábricas europeias. Já a Stellantis (grupo que integra marcas como Peugeot, Fiat e Opel) recorre a sistemas de IA para prever necessidades de manutenção de equipamentos, o que reduz tempos de paragem e aumenta a eficiência.

Esta automação inteligente permite ainda personalizar modelos conforme a procura de cada mercado, ajustando rapidamente as linhas de produção. Além disso, contribui para melhorar as condições de trabalho, ao substituir humanos em tarefas repetitivas ou fisicamente exigentes.

IA na manutenção e pós-venda

Outra área em que a inteligência artificial tem impacto crescente é na manutenção preditiva. Em vez de reagir a avarias, os veículos modernos equipados com sensores e algoritmos inteligentes conseguem antecipar problemas antes que estes ocorram, alertando o condutor para a necessidade de intervenção.

Este tipo de tecnologia já é utilizado em modelos de marcas como a Volvo ou a BMW, e começa a ser integrado também em soluções de pós-venda para oficinas independentes. Em Portugal, algumas redes de manutenção já utilizam plataformas com IA para diagnosticar avarias com maior rapidez e precisão, o que reduz custos e tempos de imobilização.

Personalização da experiência de condução

A IA também está a mudar a forma como interagimos com o automóvel. Sistemas de infotainment baseados em assistentes virtuais (como o MBUX da Mercedes ou o Google Assistant integrado nalguns modelos da Volvo e Renault) conseguem aprender com os hábitos do condutor para ajustar rotas, controlar a climatização, sugerir destinos frequentes e até antecipar preferências musicais.

Esta personalização da experiência é uma das grandes apostas da indústria para fidelizar condutores e oferecer um ambiente mais confortável, intuitivo e seguro. Em modelos mais recentes, é possível que o carro ajuste automaticamente os bancos, espelhos e modos de condução assim que identifica o utilizador através da chave ou da aplicação associada.

Segurança rodoviária e IA: um binómio promissor

O grande potencial da IA no setor automóvel reside na redução de acidentes. De acordo com dados da European Transport Safety Council (ETSC), mais de 90% dos acidentes rodoviários são causados por erro humano. Ao integrar sistemas de deteção de obstáculos, travagem automática e controlo de fadiga do condutor, a IA pode salvar vidas.

Um bom exemplo são os sistemas de alerta de colisão frontal ou deteção de ângulo morto, já disponíveis em muitos veículos compactos vendidos em Portugal. Ao processar dados em tempo real através de câmaras e sensores, estes sistemas atuam de forma mais rápida do que o condutor conseguiria reagir por si próprio.

O impacto da IA no mercado de trabalho automóvel

Apesar dos ganhos em eficiência e segurança, a introdução massiva de IA levanta também questões sobre o futuro do emprego na indústria automóvel. Tarefas repetitivas ou de diagnóstico mecânico estão a ser substituídas por sistemas automatizados, o que exige uma requalificação de técnicos e operários.

A médio prazo, o perfil profissional mais procurado no setor automóvel será o de técnicos com competências em análise de dados, programação e mecatrónica. Portugal, com centros técnicos como o CEiiA ou institutos politécnicos a apostar na formação tecnológica, tem potencial para acompanhar esta transição.

Desafios e limites da IA na mobilidade

Embora a IA traga benefícios evidentes, ainda há desafios a superar. A privacidade dos dados dos condutores, o custo das tecnologias, a compatibilidade com infraestruturas públicas e a regulamentação legal são obstáculos que limitam a adoção total da inteligência artificial.

Adicionalmente, a condução autónoma enfrenta obstáculos técnicos e éticos complexos. Como deve reagir um carro autónomo em situações de emergência? Quem é o responsável legal em caso de acidente? Estas são questões que ainda estão em debate, tanto em Portugal como noutros países europeus.

Leia também: