23 dezembro 2025

BEN: o microcarro elétrico português que já pode circular por toda a Europa

BEN o microcarro elétrico português que já pode circular por toda a Europa

O BEN é um projeto 100% português que acaba de atingir um marco importante: obteve a homologação europeia, o que significa que já pode circular legalmente em qualquer país da União Europeia. Desenvolvido pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, este microcarro elétrico promete ser uma solução de mobilidade urbana acessível, inteligente e sustentável.

Num momento em que a mobilidade elétrica ganha cada vez mais relevância e os centros urbanos caminham para zonas de emissões zero, o BEN surge como uma proposta feita à medida dos desafios contemporâneos, com selo nacional.

Um carro português para a Europa

Apesar de Portugal não ter tradição na criação de automóveis de raiz, o BEN representa uma viragem. Este projeto, nascido no norte do país, visa democratizar o acesso à mobilidade elétrica. O CEiiA, com sede em Matosinhos, lidera a iniciativa, enquadrada na Agenda Mobilizadora Be.Neutral, uma das agendas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Esta agenda junta cerca de 40 parceiros, incluindo empresas tecnológicas, universidades e municípios, como Guimarães, que será Capital Verde Europeia em 2026.

Segundo Helena Silva, administradora do CEiiA, “Portugal passa agora a ser um construtor de mobilidade europeia”, destacando que o BEN é mais do que um veículo; é uma peça de um novo ecossistema de mobilidade inteligente e sustentável.

Um veículo pensado para as cidades

O BEN foi criado com o foco na mobilidade urbana. Com dimensões compactas e um design minimalista, é ideal para ambientes citadinos onde o espaço é limitado e a agilidade é essencial.

Entre as principais características destacam-se a capacidade para até três ocupantes, o volume de bagageira variável entre 100 e 400 litros, a plataforma modular que permite adaptar o interior a diferentes utilizações, a arquitetura digital integrada com chave digital, identificação biométrica do utilizador e capacidade de personalização por perfil, bem como o sistema de monitorização de emissões evitadas através da plataforma AYR.

Este último ponto é particularmente inovador. O BEN incorpora um “contador de carbono” que permite quantificar as emissões de CO? evitadas em tempo real. Esta funcionalidade pode ser usada para programas de compensação ambiental e para incentivar comportamentos mais sustentáveis por parte dos condutores.

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Homologação europeia: o passaporte para o continente

O processo de homologação foi realizado no centro de testes do IDIADA, em Espanha, onde o BEN foi sujeito aos ensaios exigidos pela legislação europeia. O resultado foi a atribuição da homologação europeia, o que permite que o veículo seja matriculado e conduzido legalmente em qualquer país da União Europeia.

Esta certificação é fundamental para que o projeto passe da fase piloto para uma fase de produção e comercialização mais alargada. Para já, o CEiiA prevê produzir séries limitadas numa unidade-piloto com capacidade anual para cerca de 200 veículos. O objetivo é atingir as 20?000 unidades por ano até 2030, através de produção descentralizada em Portugal e noutros países europeus.

Preço competitivo e produção nacional

Um dos aspetos mais apelativos do BEN é o preço de entrada previsto, que deverá rondar os 8?000 euros. Trata-se de um valor bastante abaixo da média dos veículos elétricos disponíveis no mercado europeu. Para referência, modelos como o Citroën Ami, Renault Twizy ou XEV YoYo, que operam no mesmo segmento urbano, apresentam preços semelhantes ou superiores, com menos funcionalidades tecnológicas.

O baixo custo do BEN será possível graças à sua arquitetura modular e escalável, que reduz os custos de fabrico e facilita a montagem local. Além disso, a produção nacional permitirá reduzir a pegada logística e criar emprego qualificado no sector tecnológico e industrial.

Um conceito de mobilidade mais do que um automóvel

O BEN não é apenas mais um carro elétrico. Está inserido numa visão integrada de mobilidade, com forte aposta na digitalização, partilha e sustentabilidade.

A plataforma SPIRIT, que acompanha o veículo, oferece funcionalidades como acesso ao veículo através de smartphone, configuração personalizada de cada utilizador, integração com aplicações de partilha e gestão de frotas, e dados em tempo real sobre uso, eficiência energética e impacto ambiental.

Por outro lado, o sistema AYR regista as emissões evitadas durante o uso do carro e atribui créditos de carbono, que podem ser usados para aceder a serviços ou produtos sustentáveis. Esta abordagem transforma o utilizador num agente ativo na transição energética, criando valor a partir de comportamentos sustentáveis.

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Um futuro alinhado com as exigências ambientais

A criação e homologação do BEN coincidem com um momento de transformação profunda no setor automóvel europeu. A União Europeia já definiu como meta a eliminação da venda de veículos com motor de combustão interna até 2035, segundo o Parlamento Europeu.

Ao mesmo tempo, estão a ser implementadas Zonas de Emissões Reduzidas nas principais cidades europeias, onde apenas veículos elétricos ou híbridos com baixas emissões podem circular. Este contexto torna modelos como o BEN altamente relevantes, não só pelo seu reduzido impacto ambiental, mas também pela sua compatibilidade com as políticas urbanas futuras.

De acordo com dados da ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis), os veículos 100% elétricos representaram mais de 15% das vendas totais na União Europeia em 2023. Em Portugal, o número de carros elétricos matriculados aumentou mais de 120% entre 2020 e 2023, segundo dados da ACAP.

Comparação com modelos semelhantes

Embora o BEN ainda não tenha entrado em comercialização plena, é comparável a outros veículos do segmento de microcarros urbanos elétricos, como o Citroën Ami, o XEV YoYo e o Renault Twizy.

O BEN oferece uma vantagem clara em termos de preço e capacidade tecnológica, apesar de ainda não haver dados públicos definitivos sobre a autonomia e potência. Esses dados deverão ser divulgados mais perto da produção em série.

Um projeto com impacto nacional

Além do potencial económico e ambiental, o BEN tem também um impacto simbólico importante. Representa uma mudança de paradigma na indústria portuguesa, que tradicionalmente tem desempenhado um papel secundário no setor automóvel, sobretudo ao nível da produção para marcas estrangeiras.

Neste caso, estamos perante um veículo desenhado, desenvolvido e certificado em Portugal, com ambição internacional. É um exemplo concreto de como os investimentos em investigação, inovação e sustentabilidade podem gerar produtos competitivos e relevantes à escala europeia.

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