13 fevereiro 2026

Ao volante do FIAT Grande Panda: O herói que a cidade esperava

Diz-se que não há amor como o primeiro, mas a Fiat parece determinada a desafiar esse velho ditado. Depois de ter ressuscitado com enorme sucesso o mítico 500, a marca italiana pegou noutro dos seus tesouros nacionais – o Panda, que conquistou milhões nas décadas de 80 e 90 – e transformou-o num sedutor para o século XXI: o Grande Panda.

O nome explica que se trata de muito mais do que um simples “remake”, o Grande Panda é uma reinvenção estratégica, promovido ao estatuto de utilitário, com cinco portas, um estilo quadrado, ligeiramente SUV, que não só recorda a forma do histórico Panda de 1980, como também pretende oferecer muito espaço com pouco volume, medindo apenas 3,99 metros de comprimento (mais 33 cm do que o seu antecessor). Tudo isto sem abdicar do estilo.

Design que conta histórias

Os designers da Fiat fizeram um trabalho notável em reimaginar os códigos do modelo original, dando-lhes uma dose de irreverência contemporânea. Assim, o visual do Grande Panda encaixa na definição de "retro-futurista", é imediatamente reconhecível, mas são os pormenores que cativam: a palavra "Panda" está gravada na chapa, e no pilar C um efeito de holograma revela alternadamente o logótipo ou o nome "Fiat", consoante o ângulo de visão. É uma celebração constante da herança da marca.

A plataforma que permite tudo: gasolina, híbrido ou elétrico

O Grande Panda representa o primeiro fruto de uma nova era estratégica para a Fiat, construído sobre a plataforma global Smart Car do grupo Stellantis. Esta arquitetura multienergia constitui o trunfo fundamental do modelo, funcionando como uma base inteligente e versátil que permite à marca oferecer uma única linha de design com três soluções de motorização distintas, adaptando-se assim a um espectro alargado de mercados, preferências e necessidades dos clientes. Para quem privilegia a simplicidade e o custo de entrada mais acessível, está disponível a versão a gasolina, com um motor 1.2 Turbo de 100 cv. Para os condutores que desejam um pé em cada mundo, a opção híbrida combina um motor térmico com um elétrico, totalizando 110 cv de potência combinada, oferecendo uma transição suave para uma mobilidade mais eficiente. No topo da gama, a versão 100% elétrica, equipada com um motor de 113 cv e uma bateria de 44 kWh, posiciona-se como a interpretação mais moderna e tecnológica do conceito, preparada para um futuro de zero emissões. Esta flexibilidade inerente garante que o Grande Panda é, verdadeiramente, um veículo para todos.

Interior: espaço justo e toques de bambu

A prioridade no interior foi clara: criar um ambiente jovem, prático e surpreendentemente espaçoso para um carro de segmento B. Com quase 4 metros de comprimento, o habitáculo acomoda quatro adultos com folga, e a bagageira oferece generosos 421 litros (menos 50 na versão elétrica).
A qualidade dos materiais e a ergonomia são convincentes, mas é a irreverência que domina. Acabamentos em cores vivas quebram a monotonia, e o porta-luvas no tablier é fabricado em fibra de bambu – uma solução tão sustentável quanto distintiva. A herança do Panda original está ainda presente no famoso "bolso" desenhado por Giorgetto Giugiaro, agora com 3 litros de capacidade, e nos mais de 13 litros de espaços de arrumação totais.
Outros destaques incluem a presença da caixa de velocidades basculante no túnel central, duas tomadas de carregamento USB-C para os passageiros da frente e a clássica chave metálica para a ignição.
Os bancos dianteiros, com apoios de cabeça integrados, têm um acabamento em “xadrez”, tal como os bancos traseiros, com costuras amarelas contrastantes e a inscrição, também em amarelo, “Panda made with love in Fiat”.

Versão elétrico: eficiência e uma solução genial

Focando na versão que testámos, a 100% elétrica, o Grande Panda apresenta argumentos sólidos para o dia a dia urbano. O seu motor de 113 cv e 125 Nm de binário oferece uma resposta imediata e ágil, tornando-o ideal para o trânsito citadino. Dos 0 aos 100 km/h em 11 segundos, é um dos Panda mais rápidos de sempre. Tendo também a eficiência como um dos pontos altos. Com uma bateria de 44 kWh, consegue uma autonomia real na ordem dos 300 km, com consumos médios a rondar os 14-15 kWh/100 km.
Mas a sua característica mais engenhosa é invisível até ser necessária: um cabo de carregamento retrátil de 4,5 metros integrado sob o capô. Esta solução não elimina a desarrumação que é ter um cabo solto na bagageira, como permite que este se mantenha sempre limpo e protegido e não rouba espaço de carga útil.
Em termos de carregamento, recupera de 20% a 80% de bateria em cerca de 4 horas num ponto de 7 kW. Num carregador rápido de 100 kW, esse tempo cai para apenas 27 minutos.

Conforto e serenidade para a cidade

A experiência de condução do Grande Panda elétrico é marcada pelo conforto notável. A Fiat investiu muito na afinação da suspensão, conseguindo um equilíbrio interessante entre a absorção de irregularidades e a estabilidade. O resultado é um andamento sereno e refinado que coloca este modelo no topo do seu segmento em termos de conforto.
A direção não é a mais desportiva ou comunicativa, mas é precisa o suficiente para tornar a condução descontraída. O carro não oferece modos de condução, mas a caixa permite selecionar entre o modo D (travagem regenerativa normal) e o modo C (mais eficiente, com regeneração intensificada).

Gama e preços para Portugal

Em última análise, o Fiat Grande Panda consegue um feito cada vez mais raro no segmento dos carros urbanos: transcender a mera equação económica e transformar uma escolha acessível numa decisão genuinamente emocional. O Grande Panda não disfarça a sua natureza económica, mas celebra-a através de um design carismático, uma personalidade marcante e um nível de conforto que desafia as expectativas para a sua categoria. Esta proposta distinta materializa-se numa gama de preços que começa nos 16.844 euros para a versão a gasolina 1.2 de 100 cv, sobe para os 18.844 euros na opção híbrida de 110 cv e atinge os 23.547 euros para a interpretação 100% elétrica, de 113 cv.