Alpine A390GT: um SUV elétrico que vai mais longe

A Alpine iniciou oficialmente o seu novo capítulo elétrico com a apresentação dinâmica do A390GT em Portugal, num evento realizado a 6 de abril que combinou condução, desporto e experiência de marca.
O primeiro contacto com os jornalistas em Portugal teve lugar em Lisboa, onde a marca integrou uma atividade de padel, uma modalidade com a qual já mantém ligação enquanto patrocinadora, criando um enquadramento alinhado com o posicionamento lifestyle e desportivo que pretende reforçar nesta nova fase.
Seguiu-se o arranque para estrada, num percurso de aproximadamente 300km escolhido para acolher a conferência de imprensa de apresentação do modelo, e que permitiu aos jornalistas lusos testar as capacidades dinâmicas do novo SUV da Alpine, ao mesmo tempo que se sujeitava a um teste de autonomia. O trajeto incluía autoestrada, estradas nacionais e troços mais exigentes, permitindo um primeiro enquadramento abrangente das capacidades do modelo.
Durante o percurso, houve ainda passagem pelo Supercharger Tesla em Alcantarilha, onde se encontravam mais de duas dezenas de veículos em carregamento simultâneo. Um retrato claro da maturidade crescente da mobilidade elétrica e do contexto competitivo em que o A390GT se insere.
Exterior inspirado na "lenda": o Alpine A110
O A390GT foge um pouco à fórmula habitual dos SUV elétricos. A Alpine optou por um fastback com uma postura mais baixa e fluida, o que acaba por aproximar o carro de um coupé de cinco portas do que de um SUV puro.
Num segmento onde muitos modelos começam a parecer variações do mesmo tema, este consegue marcar alguma diferença. As linhas são mais tensas, há uma identidade luminosa própria e nota-se que alguns elementos aerodinâmicos não estão ali só por estética, especialmente na zona do capot. As jantes de 20” também ajudam a dar presença e encaixam bem nas proporções do carro.
O Azul Alpine da unidade testada faz o resto. E uma cor que chama a atenção e que reforça imediatamente a ligação à marca. No conjunto, a sensação que fica é a de um desportivo elevado, mais do que um SUV tradicional, o que mostra claramente a intenção da Alpine de manter o seu ADN mesmo neste novo formato.
Quando o interior é bom, não se muda a receita
Por dentro, o A390GT não esconde a base tecnológica do Grupo Renault, sobretudo no sistema OpenR com Google integrado. A utilização é simples, rápida e intuitiva, com uma lógica que já é familiar a quem conhece outros modelos do grupo.
Uma das novidades passa pela introdução de elementos de gamificação na condução, com desafios e métricas de performance que procuram envolver mais o condutor. É uma abordagem diferente, mais próxima de um universo digital, e que encaixa bem na forma como a Alpine quer posicionar este modelo.
Na qualidade de construção, o interior transmite solidez. Os materiais no tablier e nas portas são consistentes e bem aplicados, embora a sensação geral acabe por não se afastar muito do que já se encontra no Renault Mégane E-Tech, o que reduz alguma da exclusividade que se poderia esperar.
Ao volante: primeiro contacto
Em termos dinâmicos, o A390GT combina um sistema elétrico com cerca de 400 cv com um sistema avançado de torque vectoring, capaz de gerir de forma ativa a distribuição de binário entre rodas. O resultado traduz-se numa elevada eficácia em curva e numa sensação de controlo consistente, mesmo em condições de menor aderência. A entrega de potência é progressiva e a direção revela-se direta, facilitando a colocação do carro em trajetória.
O volante, com inspiração no universo da Fórmula 1, integra comandos específicos, incluindo uma função de potência temporária (“Overtake”), que disponibiliza o máximo desempenho durante cerca de 10 segundos.
Em utilização real, os sistemas de assistência à condução, em particular a manutenção de faixa, podem apresentar intervenções mais sensíveis em pisos irregulares ou em situações com variações rápidas da geometria da estrada. Trata-se de um comportamento associado a calibrações mais intrusivas, passível de ajuste através das definições do veículo.
Preços no mercado português
O Alpine A390GT está já disponível em Portugal com valores que partem nos 67.500€, IVA incluído, e que podem chegar até aos 78.000€, variando em função da versão e do nível de equipamento. Um preço que o enquadra diretamente num dos segmentos mais competitivos do mercado elétrico atual, onde surgem propostas como o Tesla Model Y Performance, o Polestar 4 ou as versões mais potentes do Ford Mustang Mach-E.
Neste contexto, o A390GT distingue-se sobretudo pela ênfase na dinâmica de condução e pela tentativa de transpor o ADN da Alpine para um modelo 100% elétrico. Ainda assim, o posicionamento de preço obriga a uma proposta de valor bem definida, num segmento onde fatores como autonomia, tecnologia e espaço interior assumem um peso determinante na decisão final.
O desafio para o sucesso deste modelo passa agora pela forma como este posicionamento será percepcionado no mercado, num contexto cada vez mais competitivo e racional, porque argumentos sólidos e válidos para triunfar não lhe faltam.















