27 janeiro 2026

Alpina é a nova marca da BMW

BMW lança marca Alpina

Após um período de transição de três anos, a Alpina, durante décadas o epítome do tuning artesanal, completa a sua integração formal no Grupo BMW.

No mundo automóvel, poucas transições são tão carregadas de significado como a que se oficializou a 1 de janeiro de 2026. A Alpina, durante décadas o epítome do tuning artesanal, completa a sua integração formal no Grupo BMW. Não se trata de um simples rebadging ou da absorção de um fornecedor. Esta é a transformação de um atelier especializado numa marca de luxo distinta, a nova joia da coroa da BMW, agora sob a designação oficial BMW Alpina. O logótipo revelado – uma síntese elegante dos dois emblemas – é o selo de uma promessa estratégica e emocional. O que aí vem?

Respeito pelo legado em primeiro

A aquisição, anunciada em 2022 e formalizada em março do mesmo ano, nunca teve o sabor de uma aquisição hostil. Pelo contrário, foi um reconhecimento da BMW do valor único da Alpina e uma solução para os desafios regulatórios e económicos que um construtor independente enfrenta. O período de transição de três anos não foi um mero trâmite legal. Foi um tempo sagrado para a família Bovensiepen e os seus engenheiros em Buchloe garantirem que a alma Alpina – a sua filosofia de equilíbrio sublime – fosse meticulosamente transferida para os arquitetos da BMW em Munique. Terminado este período, a BMW assume agora o controlo total, mas com a missão de honrar o passado para construir o futuro.

Equilíbrio, exclusividade e artesanato

Num comunicado oficial, a BMW definiu os princípios cardeais da nova marca: “o máximo desempenho e o conforto superior de condução, combinados com características inconfundíveis”. Esta frase resume décadas de know-how. Ao contrário de outras preparadoras focadas em números brutos, a magia da Alpina reside no casamento entre a performance e o requinte. A caixa automática ZF de afinação própria, os interiores exclusivos e os ajustes de suspensão que anulam as imperfeições do asfalto são a sua assinatura.

Este legado será agora amplificado por um “portfólio exclusivo de opções personalizadas e materiais sob medida”. Imagine madeiras raras, couros de proveniência excecional, acabamentos metálicos únicos e esquemas de cor que transcendem o catálogo BMW padrão. A personalização deixa de ser uma opção e torna-se o cerne da proposta. A BMW Alpina posiciona-se assim num nicho distinto: acima das BMW M (focadas no desempenho desportivo) e ao lado, mas com carácter próprio, da Rolls-Royce (o topo do luxo).

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A herança Bovensiepen

O comunicado do Grupo BMW não é descuidado ao mencionar a “enorme responsabilidade”. A história começa em 1965, quando Burkard Bovensiepen transformou a sua paixão por carburadores de desempenho num negócio que rapidamente cativou a clientela mais exigente da BMW. Carros como o lendário Alpina B7 S Turbo (dos anos 80) ou o recente B5 Touring não são meramente BMWs mais rápidos; são reinterpretações totais, onde cada componente é alvo de otimização. A promessa é que um BMW Alpina continuará a ser imediatamente reconhecível, não por acessórios vistosos, mas por uma presença imponente, aerodinâmica subtil e uma elegância discreta que grita “exclusividade” aos entendidos.

Segundo fontes especializadas, o primeiro fruto desta nova era será uma grande berlina de luxo, sucessora espiritual do adorado Alpina B7. O modelo deverá basear-se na atual geração do Série 7 (G70/G71), provavelmente na sua versão de facelift, e o seu lançamento está previsto para meados de 2026. Expectável é que combine a poderosa motorização V8 biturbo da família, com a afinação característica da Alpina para entregar uma potência na ordem dos 600 cv, mas com uma entrega linear e um isolamento acústico exemplar. Os interiores serão um showcase do novo programa de personalização, com detalhes como o logótipo Alpina inscrito no cristal do iDrive ou nos frisos das portas.

O que importa perceber também é que a integração total da Alpina não é o fim, mas uma evolução necessária. Num mercado em rápida transformação rumo à eletrificação e à digitalização, a aliança com a BMW garante a sobrevivência e o crescimento da filosofia Alpina. O legado Bovensiepen está, agora, nas mãos de Munique.

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