Abrandamento da produção de AdBlue pode parar a indústria automóvel

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Abrandamento da produção de AdBlue pode parar a indústria automóvel

Após os cortes na produção de magnésio na China que afetou a produção de veículos por toda a Europa, agora a indústria automóvel pode estar prestes a encarar mais um desafio – O abrandamento da produção do aditivo AdBlue, obrigatório nos motores a diesel mais modernos.

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O que é o AdBlue?

O aparecimento das imposições europeias, que têm o propósito de diminuir as emissões de gases poluentes para a atmosfera e as aplicações de sistemas de tratamento dos gases, aliadas ao fato de que um dos principais focos na indústria automóvel é o controlo das emissões poluentes, deu origem à criação de um produto inovador – o aditivo Adblue – que se manifesta como resposta às novas responsabilidades e preocupações ambientais.

O AdBlue é uma solução aquosa, composta por ureia pura e água desmineralizada que é injetada diretamente no sistema de escape. Sempre acompanhado pelo sistema catalisador SCR, este aditivo reduz as emissões poluentes dos carros a diesel.

Ao entrar em contacto com os gases poluentes, o aditivo proporciona uma reação química que altera os óxidos de azoto para vapor de água e nitrogénio.

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Visto que já uma grande parte dos carros a diesel utiliza o líquido AdBlue, a produção deste aditivo é imprescindível para garantir a circulação de automóveis, podendo estar em causa o transporte de passageiros e de mercadorias.

A importância do AdBlue

 Os veículos mais recentes a gasóleo utilizam o AdBlue para reduzir as emissões poluentes e cumprir a norma ambiental Euro 6 – Norma ambiental que tem como objetivo limitar a emissão de determinados gases poluentes produzidos pelos veículos rodoviários – implementada em 2014.

O AdBlue é um líquido sem cor, fácil de manusear e é injetado diretamente no sistema de escape do automóvel. O consumo estimado é em média, de aproximadamente 1,5 a 2,5 litros por cada 1000 km. Habitualmente este aditivo químico tem um custo de cerca de um euro por litro.

Através do AdBlue, os automóveis a gasóleo, que não conseguem por si só, reduzir os gases poluentes emitidos, conseguem cumprir a norma europeia que limita as emissões de óxido de azoto a 80 mg por km.

Por último, mas não menos importante, o uso de AdBlue em veículos a diesel reduz as emissões de óxido de nitrogénio em 95%, tendo então, a utilização deste aditivo, um significativo impacto ambiental positivo.

Setor automóvel em risco

Com o aumento dos preços da eletricidade e do gás, quatro dos maiores produtores de AdBlue europeus, nomeadamente a Duslo da Eslováquia, a SKW Piesteritz da Alemanha, a Fertiberia de Espanha, e a Yara da Itália, pararam por tempo limitado a sua produção do aditivo.

Esta paragem não deverá tardar a refletir-se nos stocks do produto e, por consequência no aumento, ainda maior, dos preços de venda ao público.

Consequências no transporte de mercadorias

Com o abrandamento da produção de AdBlue, o transporte de mercadorias na Europa também fica em risco. Praticamente todos os camiões de transporte de mercadorias nas estradas europeias necessitam do aditivo para circular. Nos países em que o preço do AdBlue aumentou em cinco vezes, como é o caso da Alemanha, Reino Unido, França e Itália, já começou a correria pelo armazenamento do produto para que não falte caso o preço continue a aumentar.

O medo devido à falta deste aditivo e as consequências que sua escassez podem trazer já se fazem sentir em países como a Eslovénia, tendo o Governo já encomendado meio milhão de litros de AdBlue para abastecimento dos transportes do país.

Consequências ambientais

Apesar de todas adversidades relacionadas com o abastecimento, existe também o problema ambiental. O AdBlue é um aditivo crucial para suprimir os óxidos de azoto propagados para a atmosfera e com repercussões para a saúde. O dirigente da Associação Ambientalista Zero, Francisco Ferreira, expressou a sua preocupação e receio relativamente ao facilitismo que pode haver por parte dos condutores, tendo em conta que os Centros de Inspeção Automóvel não tem capacidade para identificar a inexistência do aditivo químico.

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Reações ao abrandamento da produção de AdBlue

António Comprido, secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), já veio a público, em entrevista à TSF, dizer que até ao momento não há escassez, mas que há a confirmação por parte dos postos de abastecimento de combustível de que há dificuldades no abastecimento de AdBlue, bem como o seu aumento de preço.

Também Pedro Polónio, presidente da ANTRAM, se pronunciou sobre o abrandamento da produção de AdBlue e a sua subida de preço: “Neste momento o AdBlue custa, face ao período antes do Verão, três vezes mais, o que implica para as empresas de transporte um custo superior a 100 euros por mês só para AdBlue. Em termos do abastecimento começamos a notar algumas dificuldades em Portugal e em Espanha e já houve dias de rutura”.

O presidente da ANTRAM refere ainda que entre 70 a 80% da frota da ANTRAM utiliza AdBlue, pelo que uma suspensão da cadeia de abastecimento será sinónimo de paragem dos transportes.

Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), comunicou inquietações semelhantes às acima referidas, mencionando que caso não possam ter acesso ao AdBlue, os táxis podem mesmo vir a parar.

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